Plano prevê sete dias sem hostilidades e reabertura do estreito; segundo o Wall Street Journal, presidente dos EUA considera novos bombardeios.
Donald Trump deve rejeitar a proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz. Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente dos Estados Unidos também avalia retomar bombardeios após as eleições legislativas americanas de novembro.
Na sexta-feira (25), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã entregou a Washington um plano que prevê a reabertura da rota marítima em sete dias. A decisão, disse ele, está nas mãos dos Estados Unidos, enquanto o governo iraniano afirma não aceitar ameaças ou pressão.
Proposta prevê pausa de sete dias
De acordo com Araghchi, o plano iraniano reúne sete condições para o fim da guerra e a retomada da navegação pelo estreito. Entre os pontos informados pelo chanceler estão uma suspensão de sete dias de todas as hostilidades no Oriente Médio, inclusive no Líbano, e o desbloqueio de ativos iranianos congelados.
O valor desses ativos é estimado em pelo menos US$ 12 bilhões, cerca de R$ 62,1 bilhões, segundo a proposta. Ao fim do sétimo dia sem confrontos, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz, afirmou o ministro.
Araghchi disse aguardar uma resposta de Washington e declarou que a China apoia a iniciativa. O porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, havia mencionado à AFP, na terça-feira (23), o fim das hostilidades no Iêmen entre as condições de Teerã.
Relato aponta ceticismo de Trump
O Wall Street Journal informou que Trump demonstra, em conversas privadas, desconfiança de que o Irã cumprirá as exigências americanas. Segundo o jornal, autoridades disseram que ele considera provável uma nova campanha de bombardeios.
Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram em junho um acordo para tentar encerrar a guerra, reabrir Ormuz e iniciar, posteriormente, tratativas sobre o programa nuclear iraniano. As partes, porém, deram interpretações distintas ao entendimento, segundo autoridades dos governos envolvidos, e os confrontos na região foram retomados.
Restrições continuam no estreito
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz sofre limitações desde o começo da guerra. O Irã exige autorização para a passagem de embarcações, sob a justificativa de segurança e soberania; navios que não seguem a exigência têm sido atacados, enquanto os Estados Unidos atingem alvos na costa iraniana.
Pezeshkian afirmou na Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (24), que o Irã não se submeterá aos Estados Unidos, embora tenha dito que o país está disposto a negociar dentro das normas internacionais. Em declaração à Fox News na quinta-feira (25), ele afirmou que Teerã não quer que o conflito continue e cobrou uma decisão de Washington sobre o encerramento da guerra.
Com informações de g1.
Foto de capa: Daniel Torok/Wikimedia Commons (Public domain)
