Conselho de Heidenau decidiu concentrar futuras homenagens em um memorial no cemitério; medida provocou críticas.
O Conselho Municipal de Heidenau, no leste da Alemanha, aprovou na quinta-feira (24) uma proposta que impede a instalação de novas placas nas calçadas em memória das vítimas do Holocausto. A moção foi apresentada pela Alternativa para a Alemanha (AfD), de ultradireita, e pela União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz.
As futuras homenagens deverão se concentrar em um memorial no cemitério ao norte da cidade, próxima a Dresden. Defensores da mudança argumentaram que moradores consideravam inadequado manter as placas no chão, onde podem ser pisadas. A prefeita Conny Oertel, sem partido, pediu aos vereadores que rejeitassem a proposta.
Como são as homenagens
Conhecidas como Stolpersteine, ou “pedras de tropeço”, as placas de latão são colocadas diante da última moradia de pessoas perseguidas pelo regime nazista. Elas medem, em geral, dez por dez centímetros e são fixadas sobre blocos de concreto. Segundo o artista Gunter Demnig, que idealizou o projeto, a presença das homenagens nos locais onde as vítimas viveram ajuda a tornar essa história visível às novas gerações.
Data da votação, população da cidade e dimensão habitual das placas
- 24Dia da votaçãoSetembro de 2026
- 16,5 milHabitantes da cidade
- dez por dez centímetrosDimensão habitual
A administração municipal havia recomendado que a proposta fosse rejeitada. Em sua avaliação, a criação de um memorial central não exigia uma proibição geral de novas placas. Oertel afirmou que o conselho apoiava a continuidade das homenagens e que a divergência dizia respeito à forma de realizá-las.
Críticas à decisão
A ministra alemã da Educação, Karin Prien, que integra a CDU, classificou a medida como um “escândalo”. Ao jornal Bild, ela afirmou que retirar da vida cotidiana os memoriais ligados à vida judaica tornaria os judeus invisíveis novamente. Prien também atribuiu à CDU na Saxônia responsabilidade pela decisão.
O Comitê Internacional de Auschwitz criticou a moção antes da votação. Seu vice-presidente, Christoph Heubner, condenou tanto a transferência das futuras homenagens para o cemitério quanto a atuação conjunta de representantes da CDU e da AfD. O episódio ampliou o debate sobre a barreira informal adotada por partidos alemães para evitar cooperação com a sigla de ultradireita.
Com informações de g1.
Foto de capa: Anaximander/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
