Capital acumulou 417,1 mm de chuva na estação; sistema de abastecimento terminou o período com nível maior.
A cidade de São Paulo teve o inverno mais chuvoso desde o início da série histórica do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), em 1995. Entre 20 de junho e 22 de setembro, foram registrados 417,1 mm de precipitação, volume 219,6% acima dos 130,5 mm esperados para o período, segundo o órgão da prefeitura.
O excesso de chuva também ajudou a elevar o nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana. O Sistema Cantareira passou de 39,1% do volume útil no começo da estação para 40,6% ao fim do inverno, informou a Sabesp.
Setembro concentrou maior volume
Setembro acumulou 294,3 mm até o dia 22, último dia do inverno, e se tornou o setembro mais chuvoso da série do CGE. Apenas julho terminou com precipitação abaixo da média entre os meses da estação; junho, agosto e setembro ficaram acima do esperado.
O meteorologista Thomaz Garcia, do CGE, atribuiu o padrão à influência do El Niño combinada com águas mais frias no Atlântico Sul, perto da foz do Rio da Prata, da costa uruguaia e do Rio Grande do Sul. Segundo ele, essas condições aumentaram a passagem de frentes frias.
A umidade vinda da Amazônia também se juntou às instabilidades das frentes frias e reforçou as tempestades, de acordo com Guilherme Borges, da startup de monitoramento climático FieldPro.
Reservatórios tiveram recuperação
Embora o Cantareira tenha chegado a 33% em 31 de agosto, o sistema recuperou 7,6 pontos percentuais em 22 dias, o equivalente a 74,58 bilhões de litros de água, segundo a Sabesp. Desde 2000, quando a companhia iniciou os registros, somente 2004 e este ano terminaram o inverno com volume superior ao observado no início da estação.
Dados de chuva e dos reservatórios na Grande São Paulo.
- 130,5 mmChuva esperadapara o período
- 294,3 mmChuva em setembroaté 22 de setembro
- 40,6%Cantareira no fimdo volume útil
- 231,86 bilhões de litrosRecuperação do SIM

No Sistema Integrado Metropolitano (SIM), o nível total subiu de 50,7% para 55%, com recuperação de 231,86 bilhões de litros. Rio Claro, no interior paulista, foi o único reservatório do conjunto a cair: passou de 64,5% para 51,8%.
Primavera deve ter mais chuva
O CGE informou que a primavera deve continuar sob influência do El Niño, com chuva acima da média e aumento das temperaturas. Garcia afirmou, porém, que a capital ainda pode registrar períodos de baixa umidade e calor intenso, pois os dias ficam mais longos e as chuvas seguem irregulares.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Thomas Hobbs/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
