Tumor de Cibele Marchis começou na glândula suprarrenal e se espalhou; oncologista explica como a doença é identificada e tratada.
A empresária Cibele Marchis, de 28 anos, morreu na quinta-feira (24) em Mogi Guaçu (SP), após enfrentar um câncer que começou na glândula suprarrenal e se espalhou pelo corpo. A mãe dela, Maria Elisabete, também morreu de câncer cerca de 10 horas depois, na madrugada de sexta-feira (25), em outro hospital.
Em entrevista ao g1, o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição explicou que tumores originados na suprarrenal são raros: ocorrem de um a dois casos por ano a cada 1 milhão de habitantes. A doença pode surgir em diferentes idades, e suas características variam conforme as células afetadas e a produção de hormônios pelo tumor.
O que se sabe sobre o tumor
As suprarrenais são duas glândulas situadas acima dos rins e responsáveis pela produção de hormônios. Segundo o médico, boa parte dos tumores encontrados nessa região veio de cânceres iniciados em outros órgãos. No caso de Cibele, o tumor surgiu na própria glândula e, depois, apresentou metástases.
Informações relatadas pelo g1 e pelo oncologista Vinícius Corrêa da Conceição.
- um a dois casosIncidência anualA cada 1 milhão de habitantes
- 50% a 60%Produzem hormôniosDos tumores de suprarrenal
- 28 anosIdade de Cibele
- 10 horasIntervalo entre as mortes
O oncologista afirma que alguns casos têm relação com alterações genéticas, entre elas uma que envolve o gene TP53. Quando presente, essa alteração pode estar associada ao aparecimento mais cedo da doença. Isso não significa que todos os tumores de suprarrenal tenham a mesma origem ou evolução.
Sinais e investigação
De acordo com Vinícius, 50% a 60% dos tumores de suprarrenal produzem hormônios. Conforme a substância produzida, podem ocorrer sinais como:
- Retenção de líquido, inchaço e rosto mais arredondado, associados ao excesso de cortisol.
- Aumento de pelos e outros sinais de virilização, ligados ao excesso de andrógenos.
- Pressão alta, vermelhidão e mudanças nos batimentos cardíacos, em alterações hormonais ligadas ao feocromocitoma.
Esses sinais também podem ter causas não relacionadas ao câncer. A investigação pode começar por sintomas hormonais ou por uma alteração encontrada em exame de imagem. Segundo o oncologista, a biópsia nem sempre é feita diretamente na glândula, pois pode causar complicações ou não esclarecer se a lesão é benigna ou maligna.
Como o tratamento é definido
Quando a doença está restrita à suprarrenal, a retirada cirúrgica do tumor pode ter finalidade curativa, segundo o médico. Se há metástases, o tratamento busca controlar a doença; as opções dependem do tipo de tumor, de sua extensão e da resposta do paciente.
Vinícius cita o mitotano como principal medicamento específico para esses tumores. Quimioterapia, imunoterapia e terapia-alvo também podem ser consideradas conforme o caso, embora ele aponte menor benefício das duas últimas opções nesse tipo de câncer.
Com informações de g1.
Foto de capa: Nativasunivesp2_J.N.Lacerda/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
