Categoria volta ao trabalho nesta sexta-feira (25); compensação das horas ainda dependerá de negociação.
Os trabalhadores dos Correios em São Paulo decidiram encerrar, em assembleia realizada na noite de quinta-feira (24), a greve iniciada em 10 de setembro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP), o retorno será imediato, com expediente normal a partir desta sexta-feira (25).
A paralisação teve como principais reivindicações a recomposição salarial, a manutenção de benefícios e melhorias no plano de saúde. O movimento havia sido aprovado por tempo indeterminado depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta apresentada pela empresa nas negociações do acordo coletivo.
Decisão do TST
Na tarde de quinta-feira, o Tribunal Superior do Trabalho julgou o dissídio coletivo do setor. De acordo com a decisão, a greve não foi considerada abusiva e as horas não trabalhadas poderão ser compensadas.
Os Correios haviam pedido à Justiça que declarasse a abusividade da paralisação e aplicasse multa de R$ 100 mil às entidades que representam os trabalhadores. O tribunal, porém, autorizou a compensação das horas, sem considerar o movimento irregular.
Reposição ainda será negociada
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o Sintect-SP orientou os empregados a não começarem a reposição das horas antes de uma negociação formal. O vice-presidente da entidade, Rogério Bueno, afirmou que ainda não foram definidos termos nem critérios para essa compensação.
Datas informadas pelo sindicato e pela reportagem.
- 10 de setembroInício da greveParalisação começa
- 24 de setembroAssembleiaCategoria encerra greve
- 25 de setembroRetornoTrabalho normal
Segundo o sindicato, a diretoria e as federações devem discutir conjuntamente os próximos passos. A entidade também informou que sindicatos de outros estados devem deliberar sobre o encerramento da greve em suas respectivas bases.
Crise financeira da empresa
A paralisação ocorre enquanto os Correios enfrentam dificuldades financeiras. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e formalizou um pedido de garantia ao Tesouro Nacional para contratar um empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados, dentro de seu plano de reestruturação financeira.
A Findect, federação que representa trabalhadores dos Correios e empresas de comunicações, informou que 35 assembleias aprovaram a greve. O plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes é o principal ponto de divergência nas negociações, segundo a entidade.
O que muda para os trabalhadores
Com a decisão da assembleia paulista, os trabalhadores voltam às atividades nesta sexta-feira. A forma de compensação das horas paradas ainda será objeto de negociação entre as representações dos empregados e a empresa.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Luis Dantas/Wikimedia Commons (Public domain)
