Imóvel em construção caiu no sábado (12), deixou seis mortos e é alvo de apurações da CGM e da Polícia Civil.
Um engenheiro civil afirmou à Controladoria Geral do Município (CGM) de São Paulo ter identificado irregularidades em um prédio em construção na rua Tequici, na Penha, zona leste da capital. O imóvel desabou no sábado (12), deixou seis mortos e passou a ser investigado pela prefeitura e pela Polícia Civil.
O depoimento foi prestado na sexta-feira (18). Segundo o engenheiro, ele visitou a obra em fevereiro, depois de ser chamado por um representante da New Home Construtora para realizar serviços no local, e alertou para riscos estruturais que poderiam levar ao colapso.
Relato aponta problemas na construção
De acordo com o engenheiro, a obra tinha cerca de 50 apartamentos, acima das 39 unidades autorizadas no alvará de aprovação e execução. Ele também relatou a presença de novos reforços estruturais e disse que as escadas não atendiam às normas do Corpo de Bombeiros a partir do quarto andar, onde o espaço ficaria mais estreito.
Dados relatados pelo engenheiro à Controladoria Municipal.
- 50Apartamentos encontradosRelato da vistoria
- 39 unidadesPrevisão do alvaráAprovação e execução
- R$ 670 milValor informadoPara a reforma
- R$ 1,5 milhão a R$ 5 milhõesEstimativa de reparoCálculo do engenheiro
O profissional afirmou à CGM que a construção afetava casas vizinhas. Durante a vistoria, encontrou rachaduras no imóvel atingido pelo desabamento, na sarjeta e na calçada. Também disse ter recomendado que uma família deixasse a casa ao lado, devido ao risco de colapso.
Segundo o depoimento, o projeto não previa caixa d'água nem reservatório para combate a incêndios. O engenheiro informou ainda que apresentou à prefeitura fotos, vídeos, áudios e uma proposta comercial relacionada aos problemas estruturais.
Orçamento não avançou, diz engenheiro
Representantes da New Home Construtora teriam informado que dispunham de cerca de R$ 670 mil para a reforma, conforme o engenheiro. Ele disse ter recusado o valor por considerá-lo insuficiente diante da gravidade dos problemas e da necessidade de analisar o solo.
A estimativa apresentada pelo profissional para adequar a construção às condições necessárias para receber o habite-se variava de R$ 1,5 milhão a R$ 5 milhões. Ele afirmou que enviou a proposta no início de março, mas a negociação não teve continuidade e a construtora não voltou a procurá-lo.
Apurações seguem na capital
A CGM informou que embargou todas as obras em andamento na cidade vinculadas às empresas envolvidas no desabamento. A Controladoria conduz uma investigação paralela à da Polícia Civil sobre possíveis irregularidades no empreendimento.
Três responsáveis pela empresa tiveram a prisão decretada. Segundo a reportagem, um dos sócios está preso e um casal permanece foragido. Uma servidora da Subprefeitura da Penha também é investigada: de acordo com a polícia, ela atestou a demolição de uma parte do edifício, procedimento que não teria ocorrido. Ela já prestou depoimento.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: joao batista Shimoto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
