Segundo documentos obtidos pela Agência Pública, a AGU concluiu que não havia medida judicial cabível no caso.
A Polícia Federal enviou um ofício sigiloso à Advocacia-Geral da União em 23 de julho de 2026 para pedir a análise de possíveis medidas contra decisões do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, segundo documentos obtidos pela Agência Pública. A AGU respondeu, em nota jurídica também sigilosa, que não havia medida judicial possível.
O pedido foi encaminhado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao advogado-geral da União, Jorge Messias. De acordo com a Pública, o episódio ocorreu antes de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes se tornarem públicas, em 8 de setembro.
Por que a AGU recusou o pedido
A nota jurídica da AGU apontou que o caso não envolvia a defesa de um agente público e que o órgão não atua em investigações criminais, atribuição do Ministério Público. Também avaliou que a PF não demonstrou prejuízo concreto causado pela exigência de avisar previamente sobre eventuais mudanças na equipe de investigação.
Segundo o documento, a Polícia Federal ainda teria perdido o prazo para questionar regras que já constavam de uma decisão de maio. A AGU registrou que as restrições de acesso interno ao caso existiam desde o início da investigação e que uma decisão posterior não reabriria o prazo para recurso.
A nota afirmou também que, quando a consulta foi analisada, o material bruto relacionado a Vorcaro já havia sido entregue ao gabinete de Mendonça. Com isso, não haveria providência a suspender. A AGU sugeriu à PF duas alternativas: buscar interlocução direta com o relator ou levar a questão ao Ministério Público Federal.
Decisões sobre as investigações
Mendonça assumiu a relatoria do caso Master em fevereiro, após Dias Toffoli. Em decisão de 19 de fevereiro, determinou que apenas policiais diretamente envolvidos na apuração tivessem acesso às informações, inclusive sem acesso de superiores hierárquicos, segundo a reportagem.
Cronologia das decisões e do pedido à AGU
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
Em maio, no inquérito sobre fraudes no INSS, o ministro exigiu ser informado sobre alterações na equipe. Já em 13 de julho, repetiu no caso Master a determinação de manter os investigadores e de comunicar previamente qualquer substituição, além de ordenar o envio do material extraído de celulares e computadores ao seu gabinete.
Repercussão entre PF e AGU
A Pública informou que Messias e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniram-se fora da agenda com Mendonça após tomarem conhecimento do pedido da PF. Segundo a reportagem, o encontro buscou interlocução para resolver o impasse.
Em nota enviada à Pública, a AGU disse que informações publicadas pelo UOL sobre uma discussão entre Messias e Andrei Rodrigues não eram precisas. O órgão afirmou que divergências são naturais, mas que não se sobrepõem ao respeito institucional e pessoal entre os dois. A Polícia Federal não respondeu à reportagem até a publicação.
Com informações de apublica.org.
Foto de capa: Rovena Rosa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)
