Moeda americana avançou cerca de 2% em duas semanas, apoiada pela postura do Fed, pela inteligência artificial e por tensões globais.
O dólar caminha para registrar seu melhor período de duas semanas em seis meses, segundo reportagem da Bloomberg publicada pelo InfoMoney nesta sexta-feira (25). O índice Bloomberg Dollar Spot subiu cerca de 2% no período e alcançou o maior nível desde julho.
Gestores e estrategistas ouvidos pela agência avaliam que a valorização pode se estender até o fim de 2026, embora em ritmo limitado. A mudança na condução do Federal Reserve, o desempenho do setor de inteligência artificial e as tensões geopolíticas são apontados como fatores que reforçaram a procura pela moeda americana.
Juros e empresas de tecnologia dão suporte
Andreas Koenig, chefe global de câmbio da Amundi, disse que os Estados Unidos continuam concentrando o crescimento em inteligência artificial, os investimentos de capital e bons resultados corporativos. Para ele, o diferencial de juros também favorece o dólar.
Os dados econômicos mais fortes nos Estados Unidos vieram após o primeiro aumento de juros do Fed em três anos, conforme a Bloomberg. Nesse ambiente, os rendimentos dos títulos do Tesouro chegaram a novas máximas plurianuais, enquanto o Nasdaq 100 atingiu recorde histórico e o petróleo retomou a alta.
O índice do dólar acumulava avanço de 1,6% em setembro, depois de recuar em julho e agosto. No mesmo período, os rendimentos dos títulos do Tesouro em todos os vencimentos se aproximaram ou superaram 5%.
Bancos revisam projeções para a moeda
O Morgan Stanley abandonou sua previsão anterior de queda do dólar no segundo semestre de 2026 e passou a adotar uma visão positiva para a moeda. Alex Cohen, estrategista do Bank of America, afirmou que há risco de a valorização prosseguir até o encerramento do ano.
Dados citados pela Bloomberg sobre o mercado cambial.
- Cerca de 2%Alta em duas semanasBloomberg Dollar Spot
- 1,6%Avanço em setembroÍndice do dólar
- Mais de 3%Queda do euro no anoFrente ao dólar
- Quase 90 pontos-baseJuros esperadosNos próximos 12 meses
Daniel Tobon, estrategista do Citigroup, mantém recomendação de venda a descoberto de euros contra o dólar desde janeiro. O euro já perdeu mais de 3% frente ao dólar neste ano, e Tobon estima que o índice da moeda americana possa avançar mais 1%.
| Indicador | Dado informado |
|---|---|
| Alta do Bloomberg Dollar Spot em duas semanas | Cerca de 2% |
| Variação do índice do dólar em setembro | 1,6% |
| Queda do euro ante o dólar no ano | Mais de 3% |
Limites para uma alta mais intensa
Apesar da melhora nas projeções, analistas citados pela Bloomberg alertam que déficits fiscais elevados nos Estados Unidos e a expectativa já embutida pelo mercado para os juros podem restringir novos ganhos. Os investidores preveem quase 90 pontos-base de aumentos nos próximos 12 meses.
Nathan Thooft, da Manulife Investment Management, afirmou que uma desaceleração da inflação, do mercado de trabalho ou do crescimento pode permitir ao Fed suavizar sua postura. Para Daragh Maher, estrategista sênior de câmbio do HSBC, a expectativa é de uma valorização moderada, e não extraordinária.
O que acompanha o mercado
As opções de câmbio ainda mostram preferência dos investidores pelo dólar em todos os prazos, de acordo com a Bloomberg. Já o índice de força relativa do dólar superou 70 na quinta-feira, sinalizando que a alta se tornou prolongada.
Maher também relacionou a procura pela moeda aos riscos geopolíticos, que reforçam seu papel de ativo de proteção. Segundo ele, em momentos de maior instabilidade global, investidores voltam a buscar o dólar como porto seguro.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Federalreserve/Wikimedia Commons (Public domain)
