Gestoras ampliaram posições na dívida argentina após a queda dos papéis, enquanto crescem as dúvidas sobre a economia e a popularidade de Javier Milei.
Títulos soberanos da Argentina em dólar, com rendimentos em torno de 10%, passaram a atrair investidores mesmo com a proximidade das eleições de 2027 e a queda na popularidade do presidente Javier Milei. Vontobel, Schroders e o fundo ProMeritum aumentaram sua exposição ao país, segundo reportagem da Bloomberg publicada nesta sexta-feira (25).
A procura ocorre depois de uma venda forte dos papéis argentinos. Desde o fim de julho, os títulos em dólar caíram mais de 6%, o pior desempenho entre os países em desenvolvimento, mas a desvalorização elevou o retorno oferecido pela dívida e abriu espaço para apostas de gestores.
Por que os papéis voltaram ao radar
Estrategistas do Morgan Stanley recomendaram títulos argentinos de longo prazo em dólar, considerando os rendimentos atuais baratos apesar das incertezas sobre a agenda de Milei. JPMorgan Chase e Barclays também reforçaram recomendações de sobreponderação para o país, de acordo com a Bloomberg.
Thomas Haugaard, da Janus Henderson Investors, afirmou que ainda é cedo para tomar decisões com base nas eleições. Para ele, a manutenção da âncora fiscal, o crescimento das reservas cambiais e a fragmentação do movimento peronista ajudam a limitar novas perdas dos papéis.
Fernando Gimenez, da ProMeritum, disse que o fundo não tinha exposição ao crédito argentino no início de agosto, mas começou a comprar após a queda do mercado. Na avaliação dele, a volatilidade política deve continuar até a eleição, embora os preços sejam atrativos frente a outras opções de dívida emergente.
Pressão sobre Milei e a economia
A recuperação econômica buscada pelo governo argentino mostra sinais de perda de força, segundo a reportagem. Analistas reduziram previsões de crescimento, o mercado de trabalho segue fraco e pesquisas recentes indicam que a aprovação de Milei está perto dos menores níveis de seu mandato.
A pressão política também atingiu propostas do governo no Congresso. No mês passado, parlamentares suavizaram uma medida que buscava flexibilizar restrições à propriedade de terras por estrangeiros; depois, Milei retirou outro trecho central da proposta antes da aprovação, movimento que foi seguido por queda dos títulos.
Em entrevista à Bloomberg, Milei minimizou as preocupações e disse que indicadores tradicionais não captam a transformação estrutural da Argentina, especialmente no setor de petróleo e gás. O presidente afirmou que seu governo criou mais de meio milhão de empregos, parte deles informais.
O que investidores observam
Investidores acompanham a concentração dos títulos nas mãos de argentinos. Estimativa da corretora Portfolio Personal Inversiones indica que cidadãos do país detinham quase um quarto dos títulos em dólar em circulação no primeiro trimestre, fator que pode influenciar a negociação dos papéis.
Dados citados na reportagem sobre o mercado de títulos do país.
- 10%Rendimento dos títulosEm torno desse nível
- mais de 6%Queda desde julhoTítulos em dólar
- mais de meio milhãoEmpregos citados por MileiSegundo o presidente
- quase um quartoTítulos com argentinosNo primeiro trimestre
Gestores também citam o investimento petrolífero impulsionado pela formação de xisto de Vaca Muerta. Fernando Grisales, da Schroders, afirmou que essa tendência deve seguir nos próximos anos, independentemente de quem estiver na Presidência.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)
