Governo brasileiro foi pego de surpresa por declaração divulgada durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
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O governo brasileiro ainda analisava, nesta terça-feira (22), a declaração da aliança Escudo das Américas que apoia a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo a Folha de S.Paulo, a diplomacia do país não sabia que o documento seria divulgado durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A iniciativa reúne governos latino-americanos alinhados ao presidente americano Donald Trump e ocorre em meio à pressão de Washington por medidas mais duras contra o crime organizado. O tema também ganha repercussão no Brasil por estar no centro do debate sobre segurança pública a poucas semanas das eleições.
Medidas previstas na declaração
O texto citado pela reportagem prevê instrumentos contra grupos incluídos na classificação e contra quem os apoie materialmente. Além das duas facções brasileiras, mais de duas dezenas de organizações da região foram mencionadas, entre elas a equatoriana Los Lobos.
Medidas previstas no texto
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
As medidas apresentadas incluem:
- congelamento de ativos;
- restrições de visto;
- responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material aos grupos.
O PCC e o Comando Vermelho passaram a integrar a classificação dos Estados Unidos no fim de maio. De acordo com a reportagem, integrantes do governo brasileiro veem efeitos colaterais limitados da nova declaração, mas apontam preocupação com eventual uso da força na região.
Países que apoiaram o texto
A declaração foi assinada por 14 países que fazem parte do Escudo das Américas, aliança de nações conservadoras criada pelo governo Trump. São Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Durante encontro na ONU, Trump afirmou ter apoiado líderes da região em eleições e citou especificamente o argentino Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella. Segundo a Folha, Milei já usava o termo narcoterroristas para se referir a grupos desse tipo.
Posição do Brasil
No discurso na Assembleia Geral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou a ideia de uma atuação externa para enfrentar o problema. Ele afirmou que o Brasil não pretende transferir a outros países a responsabilidade sobre suas fronteiras e a segurança da população.
Lula defendeu cooperação contra o fluxo de armas e recursos financeiros que alimentam o crime e disse ter entregado uma proposta ao governo americano para combater a lavagem de dinheiro feita por criminosos brasileiros no exterior. Na semana anterior, um relatório anual dos Estados Unidos havia cobrado do Brasil maior esforço no combate ao crime organizado, o que, segundo a reportagem, foi recebido com preocupação pelo governo brasileiro.
Com informações de redir.folha.com.br.
