Líder chinês pediu que os EUA limitem o apoio a Taiwan, enquanto os dois países discutem uma extensão da trégua comercial.
Xi Jinping pressionou Donald Trump, na quinta-feira, a limitar o apoio dos Estados Unidos a Taiwan durante a visita do líder chinês ao país. Segundo a reportagem, Pequim tenta aproveitar um momento de maior aproximação entre as duas potências para buscar condições favoráveis também nas relações comerciais.
Trump afirmou que ele e Xi nunca estiveram tão próximos e anunciou uma nova reunião para novembro, após as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. Apesar do tom cordial, Washington não respondeu publicamente ao pedido chinês para declarar oposição explícita à independência de Taiwan.
Taiwan segue como principal impasse
A posição oficial americana permanece a de não apoiar a independência de Taiwan nem a coerção sobre a ilha, disse o embaixador dos EUA na China, David Perdue, à Fox News. Pequim quer que Washington abandone a expressão de que não apoia a independência e passe a afirmar que se opõe a ela.
Para Wu Xinbo, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan, Xi busca garantias de que Trump manterá uma conduta cautelosa sobre Taiwan depois das eleições de meio de mandato. Uma alteração formal na política dos EUA, porém, poderia provocar reação no Congresso, onde há apoio ao reforço militar taiwanês.
Jeremy Chan, da Eurasia Group, avaliou que Trump dificilmente mudará a orientação americana. Segundo ele, um pacote de US$ 14 bilhões em vendas de armas a Taiwan não deve ser aprovado antes da cúpula do G20, prevista para dezembro.
Trégua comercial ainda depende de confirmação
A China também não confirmou oficialmente a extensão da trégua comercial anunciada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou à CNBC que novos detalhes poderiam ser divulgados já na segunda-feira.
Dados citados na reportagem mostram entraves comerciais e militares.
- 23%Tarifa sobre a Chinacerca da taxa efetiva
- 7%Restante do mundoaproximadamente
- dois mesesTrégua previstaextensão discutida
- US$ 14 bilhõesVendas a Taiwanpacote citado
A prorrogação prevista seria de apenas dois meses, abaixo dos seis meses discutidos anteriormente. Mesmo durante a aproximação entre os presidentes, executivos chineses não participaram do jantar oficial com cerca de 130 convidados, e os semicondutores mais avançados da Nvidia para inteligência artificial seguem proibidos de ser vendidos à China.
Dependência de terras raras pesa na relação
A China continua submetida à maior tarifa efetiva dos EUA entre os principais parceiros comerciais americanos: cerca de 23%, ante aproximadamente 7% para o restante do mundo, conforme cálculos do Barclays citados na reportagem.
Pequim mantém influência relevante pela produção de terras raras, usadas em celulares, veículos elétricos, equipamentos industriais e mísseis. Dados da Bloomberg Economics indicam que os Estados Unidos e outros países deverão seguir dependentes de ímãs fabricados na China ao menos até a próxima década.
Próximos passos
O próximo encontro entre Trump e Xi foi anunciado para novembro. Até lá, os pontos que podem indicar se a aproximação produzirá medidas concretas são a confirmação da trégua comercial, a condução americana sobre Taiwan e eventuais decisões sobre vendas de armamentos à ilha.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Presidencia de la República del Ecuador/Wikimedia Commons (Public domain)
