Primeira rodada de consultas ocorreu em Genebra, na Suíça, após questionamento brasileiro sobre medidas impostas por Washington.
Representantes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram nesta sexta-feira (25), na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça, para discutir as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O encontro foi confirmado pelo Ministério das Relações Exteriores.
A reunião abriu um prazo de 60 dias para que Brasil e Estados Unidos tentem chegar a um consenso. Caso não haja acordo ao fim desse período, qualquer um dos países poderá solicitar à OMC a formação de um painel para julgar a disputa.
O que o Brasil questiona
O pedido de consultas foi formalizado pelo Brasil na OMC em 30 de julho. O governo brasileiro argumenta que os Estados Unidos passaram a tratar o país de forma diferente de outros parceiros comerciais e descumpriram compromissos assumidos na organização.
A contestação envolve duas tarifas impostas pelo governo americano:
- 25% sobre produtos brasileiros, sob alegação da Casa Branca de práticas desleais em temas como Pix, desmatamento e propriedade intelectual;
- 12,5%, sob o argumento de que diversos países, entre eles o Brasil, não coibiram a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Do lado brasileiro, participaram os secretários Philip Fox Gough, de Assuntos Econômicos do Itamaraty, e Maurício Lyrio, de Clima e Meio Ambiente, além de outras autoridades.
Resposta dos Estados Unidos
Os Estados Unidos aceitaram discutir o caso em resposta enviada em 10 de agosto, segundo as informações divulgadas. Ainda assim, integrantes do governo brasileiro afirmam que não há indicativo de que o processo na OMC leve, por si só, à reversão das tarifas.
Cronologia informada sobre as consultas entre Brasil e Estados Unidos na OMC.
- 30 de julhoPedido formalizadoBrasil aciona a OMC
- 10 de agostoResposta dos EUAEUA aceitam as consultas
- 25 de setembroPrimeira reuniãoencontro em Genebra
- 60 diasPrazo de acordoantes de possível painel
A China também solicitou formalmente participação no processo no mesmo dia em que os EUA aceitaram as consultas propostas pelo Brasil. Nesta semana, porém, o governo americano respondeu que é contrário à presença chinesa nas conversas.
Próximos passos
As partes terão 60 dias, contados a partir da primeira rodada de negociação, para buscar uma solução. Sem entendimento, Brasil ou Estados Unidos poderão pedir que a OMC abra um painel para analisar o caso.
Com informações de g1.
Foto de capa: World Trade Organization from Switzerland/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
