Segundo reportagem, agência monitora desde 2025 discursos que poderiam favorecer interesses americanos no Brasil.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como “crítico” o risco de interferência e influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026, segundo reportagem publicada pela Agência Pública nesta sexta-feira (25). De acordo com o veículo, a avaliação consta de relatório encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Polícia Federal.
A Pública afirma que a Abin produz análises sobre o tema desde novembro de 2025 e considera discursos de integrantes da extrema-direita brasileira como possíveis facilitadores de ataques à soberania nacional. O monitoramento, segundo a reportagem, acompanha manifestações que possam afetar instituições ou ampliar apoio político e popular a uma eventual intervenção externa.
Relatórios e monitoramento da Abin
Segundo a Agência Pública, os documentos internos da Abin tratam da ampliação da atuação dos Estados Unidos na América Latina durante o governo de Donald Trump. Fontes ouvidas sob reserva pelo veículo disseram que a agência acompanha também políticos com mandato, lideranças radicais e influenciadores digitais capazes de mobilizar apoiadores.
A reportagem afirma que uma fonte da Abin descreveu uma mudança no cenário eleitoral brasileiro: em vez de uma ameaça de abolição do Estado Democrático de Direito, haveria preocupação com interferência externa. Essa fonte declarou que o governo americano teria preferência pelo campo opositor e o enxergaria como facilitador de seus interesses.
Terras raras e tensão diplomática
Fontes da Abin ouvidas pela Pública apontaram as terras raras como um dos focos do interesse americano no Brasil. Segundo a reportagem, mais de 20% das reservas mundiais desses minerais estão no território brasileiro, e Trump assinou no início de seu mandato um decreto para acelerar a produção de minerais críticos nos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, respondeu à retórica intervencionista em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, conforme reproduzido pela Pública.
Contatos com parlamentares e indicação diplomática
A Pública também informou que a Embaixada dos Estados Unidos procurou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), para uma reunião com dois enviados do Departamento de Estado. Conforme a apuração, a missão teria como objetivo levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas; o Itamaraty negou vistos a Riley Bernes e Samuel Samson.
Cronologia de fatos relatados pela Agência Pública.
- novembro de 2025Início das análisesrelatórios da Abin
- 16 de julhoAção de Rubioconvocação de 66 países
- 7 de agostoAprovação no Senadonome de Daniel Perez
- 22 de setembroDiscurso de Lulaabertura da Assembleia da ONU
Ainda segundo a reportagem, o Ministério das Relações Exteriores não havia dado aval à indicação de Daniel Perez para chefiar a embaixada americana no Brasil. O Senado dos Estados Unidos aprovou o nome em 7 de agosto, mas a nomeação depende do agrément, a aceitação formal do país que receberá o diplomata.
Próximos passos
O monitoramento da Abin sobre possíveis impactos de discursos intervencionistas nas instituições brasileiras continua, de acordo com a Agência Pública. A reportagem não informa se o TSE, a Polícia Federal, o Itamaraty ou a Embaixada dos Estados Unidos se manifestaram sobre os pontos relatados.
Com informações de apublica.org.
Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
