Investigação da BBC News Brasil relata a circulação de vídeos feitos por inteligência artificial que já alcançaram milhões de pessoas.
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Vídeos criados com inteligência artificial que simulam figuras como Jair Bolsonaro, Lula, eleitores, médicos e professores de história vêm alcançando milhões de pessoas nas redes sociais. Segundo investigação publicada pela BBC News Brasil em 23 de setembro, esse mercado reúne produtores interessados tanto em obter renda quanto em influenciar a opinião pública.
A apuração do repórter Luiz Fernando Toledo acompanhou, durante meses, a produção e a disseminação desse tipo de conteúdo dentro e fora da política. O material mostra que os deepfakes não se limitam a reproduzir pessoas conhecidas: também usam personagens artificiais para comentar temas do debate público.
Personagem criada por IA
Entre os produtores ouvidos pela reportagem está o motorista de aplicativo Daniel Cristiano dos Santos. Ele criou Dona Maria, uma personagem inteiramente gerada por inteligência artificial, apresentada como uma mulher negra e idosa que usa palavrões e demonstra revolta com a situação do país.
De acordo com a BBC News Brasil, a personagem publicou vídeos com críticas a Lula, ao governo e a ministros do Supremo Tribunal Federal. As publicações receberam milhões de visualizações nas plataformas, segundo a reportagem.
Alcance de um dos vídeos
Um dos vídeos de Dona Maria pedia uma reação do presidente ao tarifaço de Donald Trump. A publicação chegou a 8,8 milhões de visualizações e teve mais de 23 mil comentários, segundo a BBC.
A investigação aponta que a busca por alcance faz parte da lógica desse mercado. Ao mesmo tempo, os conteúdos podem circular em discussões políticas e atingir públicos que nem sempre identificam de imediato que as imagens e vozes foram produzidas por inteligência artificial.
O que a investigação mostra
A reportagem identificou uma combinação de objetivos na criação e na divulgação dos vídeos:
- ganhar dinheiro com conteúdos gerados por IA;
- alcançar grandes audiências nas redes sociais;
- influenciar opiniões sobre temas políticos.
O material cita exemplos de vídeos artificiais que simulam políticos, cidadãos, profissionais da saúde e aulas de história. A apuração não detalha, no trecho divulgado, quais plataformas rendem dinheiro aos produtores nem como ocorre essa remuneração.
Com informações de bbc.com.
