Agora
Cultura e Entretenimento

Jess e Morgs levam debate sobre deepfakes a espetáculo de dança

Jess e Morgs usam câmeras ao vivo e chroma key em espetáculo de dança sobre deepfakes e desinformação.

Compartilhar: WhatsApp Facebook LinkedIn
Scottish Ballet
Foto: Scottish Government/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Nova obra da dupla britânica combina câmeras ao vivo, chroma key e uma entrevista política encenada.

A dupla de coreógrafos Jessica Wright e Morgann Runacre-Temple, conhecida como Jess e Morgs, prepara Deepfake, espetáculo de dança que discute os efeitos das imagens manipuladas sobre a percepção da verdade. A obra se passa em um estúdio de chroma key e encena uma entrevista entre uma jornalista e um político.

A montagem usa a dinâmica de entrevistas televisivas de alta tensão para explorar tanto a credulidade diante de conteúdos falsos quanto a possibilidade de imagens verdadeiras serem desacreditadas. Segundo os artistas, a proposta é mostrar as versões simultâneas de uma mesma cena e expor como elas são construídas.

Entrevista filmada em tempo real

No palco, a conversa entre os dois personagens será registrada por quatro câmeras ao vivo. O público verá a ação presencial e, em uma tela, outra versão da cena, com imagens de fundo inseridas na edição.

InfográficoElementos de Deepfake

A montagem reúne tecnologia de palco e referências da televisão.

quatro
câmeras ao vivoregistram a entrevista em cena
  • quatroCâmeras ao vivofilmam a cena
  • seteDançarinos em chroma keymanipulam o ambiente
  • 2022Coppéliaobra anterior da dupla
Fonte: The GuardianRevista Ideal

O trabalho terá ainda sete dançarinos em roupas próprias para chroma key. Eles manipularão o ambiente cênico, mas desaparecerão na imagem editada, reforçando o contraste entre a ação real e o resultado exibido na tela.

A jornalista será interpretada por Rebecca Bassett-Graham, dançarina conhecida pelo trabalho com a companhia de Wayne McGregor. Kennedy Junior Muntanga, que já trabalhou com Akram Khan, interpreta o político.

Referências de entrevistas na TV

Jess e Morgs desenvolveram o espetáculo com o escritor Jeff James. Para criar a cena, eles analisaram entrevistas televisivas, entre elas a conversa de Jeremy Paxman com Michael Howard, em 1997, e a participação do ex-príncipe Andrew no programa Newsnight.

A coreografia acompanha a fala em voz over e traduz corporalmente conflitos de uma entrevista: persuasão, pressão, colaboração, acusação e encurralamento. De acordo com Wright, os intérpretes precisam acertar marcas e direções do olhar em momentos exatos nas cenas com chroma key para que a ilusão funcione.

Tecnologia e dúvida sobre o que é real

Para Runacre-Temple, o chroma key tem uma aparência mais simples e lúdica quando comparado aos deepfakes produzidos por inteligência artificial. A preocupação central da obra, segundo ela, não é apenas o risco de pessoas acreditarem em uma imagem falsa, mas também o de passarem a duvidar de imagens verdadeiras.

A dupla já abordou tecnologia e inteligência artificial em Coppélia, criado para o Scottish Ballet em 2022. A produção transformou o balé do século 19 em uma história sobre autômatos de IA e ambições do setor de tecnologia.

O que o espetáculo propõe

Deepfake não antecipa se haverá um vencedor no embate entre a jornalista e o político. A intenção declarada por Jess e Morgs é fazer uma obra surpreendente e provocadora, centrada na relação instável entre imagem, narrativa e verdade.

Com informações de theguardian.com.

Foto de capa: Scottish Government/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Autor

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. Publica conteúdo em mais de 2.000 sites parceiros e é o responsável pelo Revista Ideal.

Ver publicações do autor →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *