Aeronave experimental reúne peças de outros jatos e mede a reação de comunidades ao impacto sonoro.
A Nasa está usando o X-59, avião experimental construído pela Lockheed Martin, para testar voos acima da velocidade do som sobre cidades selecionadas dos Estados Unidos. A aeronave, que fez seu primeiro voo em 2025, foi projetada para reduzir o estrondo sônico a um ruído mais discreto.
O experimento busca saber como moradores reagem quando um jato ultrapassa Mach 1, cerca de 660 mph na altitude de cruzeiro de aviões comerciais. Segundo Peter Coen, gerente do programa na Nasa, a meta é definir qual nível de ruído seria aceitável para a população em operações regulares.
Projeto concentra teste no estrondo sônico
O formato alongado do nariz do X-59 foi pensado para alterar a onda de choque produzida no voo supersônico. A solução tenta enfrentar uma limitação que restringiu o Concorde a trajetos sobre o mar, pois o barulho impedia rotas lucrativas sobre os Estados Unidos.
A Nasa conduz os voos junto com pesquisas nas comunidades sobre o som percebido. Coen comparou o ruído esperado ao de uma porta de carro fechando do outro lado da rua.
Aeronave reúne componentes de outros jatos
O X-59 recebeu o assento e a cabine de um jato de treinamento T-38, o trem de pouso de um F-16 e o motor de um F-18. Como o piloto não tem visão frontal direta por causa do nariz comprido, uma câmera transmite as imagens para uma tela na cabine com processamento instantâneo.
O programa faz parte da série de aviões experimentais X da Nasa, iniciada em 1947 com o Bell X-1, primeiro avião a romper a barreira do som. A estratégia da agência é criar aeronaves voltadas a uma função específica, usando dados de voo para verificar se a tecnologia funciona.
Drones não eliminam testes com pilotos
A Nasa chegou a avaliar uma versão não tripulada do X-59, mas concluiu que certificar um jato robótico veloz para voar sobre áreas urbanas traria custos e dificuldades adicionais. Além disso, o tamanho necessário para simular um avião comercial permitiu a instalação de uma cabine.
Para Guy Gratton, professor de Testes e Avaliação de Aeronaves da Universidade de Cranfield, pilotos ainda identificam aspectos que podem não aparecer em testes remotos. Ele afirma que a operação de drones também exige equipes em solo para monitorar seus sinais.
Reino Unido prepara demonstrador para 2028
No Reino Unido, a BAE Systems desenvolve um demonstrador tecnológico ligado ao Global Combat Air Programme, projeto conjunto com Itália e Japão. De acordo com Tony Godbold, responsável pela iniciativa, o avião usará motores do Typhoon e tem voo previsto para 2028.
Datas citadas na trajetória dos X-planes e do projeto britânico.
- 1947Bell X-1Primeiro voo além do som
- 2007X-48Modelo sem tripulação
- 2025X-59Primeiro voo da aeronave
- 2028BAE SystemsVoo previsto do demonstrador
A empresa reúne 100 fornecedores britânicos, entre eles a Rolls-Royce, para testar soluções que podem ser incorporadas ao caça previsto para voar na década de 2030. O projeto britânico segue a lógica dos X-planes ao usar uma aeronave para validar tecnologias em condições reais.
Com informações de bbc.co.uk.
Foto de capa: NASA / Jim Ross/Wikimedia Commons (Public domain)
