Desastre no vale do rio Trishuli deixou mortos, desaparecidos e usinas soterradas após o colapso de uma geleira.
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Uma enchente repentina no distrito de Rasuwa, no Nepal, destruiu pontes, trechos de rodovias e soterrou 12 hidrelétricas no vale do rio Trishuli após o colapso de uma geleira em 26 de agosto. Segundo a NPR, ondas de água, gelo e pedras avançaram pelo vale depois que uma massa de geleira e rocha caiu no rio.
Até setembro, cerca de 1.400 corpos haviam sido recuperados no país e mais de 5.000 pessoas continuavam desaparecidas. Entre mortos e desaparecidos, há 121 trabalhadores que ficaram presos em usinas hidrelétricas, de acordo com o brigadeiro-general Subas Jung Thapa, do Exército nepalês, responsável pelas buscas.
Resgate em usinas soterradas
Equipes de resgate levaram dias para localizar as instalações encobertas por lama e pedras. Apenas três homens foram encontrados vivos nas usinas desde o início da operação, informou o especialista em túneis Arnold Dix, que atua nas buscas.
A Upper Trishuli-1, uma das maiores obras hidrelétricas da bacia, estava em construção e foi soterrada. Thapa estimou no início de setembro que cerca de 50 pessoas poderiam estar presas no local; o Kathmandu Post informou na quarta-feira que cinco corpos foram retirados da usina.
Riscos acumulados no rio Trishuli
Especialistas ouvidos pela NPR afirmam que o desastre trouxe de volta o debate sobre os riscos de concentrar empreendimentos hidrelétricos em uma região vulnerável a terremotos, deslizamentos e ao derretimento acelerado de geleiras. A bacia do Trishuli reúne 36 projetos hidrelétricos, incluindo as 12 estruturas atingidas pela enchente.
Impactos da enchente no Trishuli
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.

Não há evidência clara de que a construção das usinas tenha provocado ou ampliado diretamente o desastre de agosto. Mas pesquisadores dizem que os estudos costumam analisar os riscos de cada projeto isoladamente, sem considerar de forma suficiente os impactos acumulados de diversas barragens e túneis no mesmo sistema fluvial.
| Impacto ou dado | Número |
|---|---|
| Corpos recuperados | 1.400 |
| Pessoas desaparecidas | Mais de 5.000 |
| Hidrelétricas soterradas | 12 |
| Projetos na bacia do Trishuli | 36 |
O que dizem financiadores
A Upper Trishuli-1 recebeu cerca de US$ 300 milhões em empréstimos e participação acionária de dois braços do Banco Mundial, além de US$ 60 milhões do Banco Asiático de Desenvolvimento. Em nota à NPR, o Banco Mundial afirmou que o projeto foi elaborado com avaliações de risco disponíveis em 2018 e que avaliará possíveis mudanças em monitoramento, alertas e resposta a emergências à medida que surgirem mais informações sobre a enchente.
Em 2024, especialistas independentes que visitaram a obra relataram que não havia sido feita uma avaliação de resiliência climática e classificaram essa ausência como uma lacuna relevante. O Banco Asiático de Desenvolvimento não respondeu de imediato à pergunta da NPR sobre se a avaliação foi realizada depois disso.
Com informações de npr.org.
