Pesquisadora diz que gestores precisam reconhecer o estresse das equipes e rever modelos baseados no medo.
A pesquisadora e autora Brené Brown defendeu uma liderança mais atenta às pessoas em meio à incerteza e ao avanço da inteligência artificial. Ela tratou do tema durante o Fortune Most Powerful Women Summit, realizado em 2025, em Washington.
Segundo Brown, mudanças rápidas nos mercados, tensões políticas e dificuldades vividas por trabalhadores tornam mais difícil agir com coragem. Embora se diga otimista em relação à tecnologia, ela sustenta que capacidades humanas continuam essenciais para quem lidera equipes.
Decisões em tempos de incerteza
Brown afirmou que as pessoas buscam segurança, mas enfrentam níveis elevados de estresse e medo. Para ela, liderar nesse ambiente exige perceber as próprias reações antes de tomar decisões e manter as escolhas alinhadas à missão e aos valores da organização.
A pesquisadora também citou a metacognição — a capacidade de refletir sobre o próprio pensamento — como uma habilidade necessária aos gestores. Em sua avaliação, desacelerar uma decisão pode ajudar a evitar que ela seja guiada apenas pela pressão do momento.
Crítica à gestão baseada no medo
Brown criticou a influência do modelo de gestão associado a Jack Welch, ex-presidente e CEO da General Electric. Na avaliação dela, uma liderança rígida, concentrada apenas em resultados, não responde bem a ambientes complexos e pode dificultar a colaboração entre colegas.
Divisão dos funcionários no modelo de gestão criticado por Brené Brown
- Melhores desempenhos20%
- Faixa intermediária70%
- Piores desempenhosGrupo sujeito a desligamento anual10%
Um exemplo desse modelo é a chamada curva de vitalidade, que dividia os funcionários por desempenho. Os percentuais descritos para cada grupo eram:
| Classificação | Parcela dos funcionários |
|---|---|
| Melhores desempenhos | 20% |
| Faixa intermediária | 70% |
| Piores desempenhos | 10% |
Pelo sistema, os integrantes do último grupo deveriam ser desligados anualmente. Brown argumenta que manter equipes sob ameaça não é uma forma duradoura de motivá-las; em seu trabalho sobre vulnerabilidade e liderança, ela defende espaço para emoções difíceis, empatia e conexões entre as pessoas.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Dell Inc./Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
