Participação anunciada pelo governo dos EUA difere dos direitos de compra descritos pelo Pentágono a parlamentares.
O acordo de petróleo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, enfrenta dúvidas sobre sua viabilidade. Uma investigação do Guardian publicada em 26 de setembro aponta obstáculos legais e logísticos que podem impedir sua execução.
Trump anunciou em agosto que um órgão do Pentágono teria participação na North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa privada de petróleo venezuelano. O presidente afirmou que a operação ajudaria a recompor a reserva estratégica de petróleo dos EUA, mas especialistas ouvidos pelo jornal dizem que isso não deve ocorrer em um futuro próximo.
O que prevê o acordo
A Casa Branca e o Departamento de Defesa afirmam que o governo americano terá 35% da Nabep. Em uma apresentação escrita a parlamentares obtida pelo Guardian, porém, o Pentágono descreveu sua posição como direitos de comprar ações — não como ações já adquiridas.
Participação anunciada, direito de compra e limite legal apontado na investigação.
- 35%Participação anunciadaNa Nabep, segundo o governo americano
- 20%Direito de compraDo petróleo extraído pela empresa
- 25 anosLimite legal apontadoPara contratos de exploração na Venezuela
Segundo o governo americano, o Departamento de Estado também poderá comprar, pelo custo de produção, 20% do petróleo extraído pela empresa. Um porta-voz do Pentágono afirmou que a operação daria aos EUA controle majoritário sobre reservas comprovadas de mais de 65 bilhões de barris na Venezuela, sem custo para os contribuintes. Ainda não está claro, de acordo com o Guardian, como a compra do petróleo seria feita.
Onde estão os entraves
Especialistas ouvidos pelo Guardian afirmam que a lei venezuelana não permite contratos de exploração de petróleo superiores a 25 anos. Eles também questionam se o órgão do Pentágono envolvido na operação tem autorização legal para adquirir participação em empresas. Segundo esses especialistas, o formato anunciado não levaria novos investimentos ao setor petrolífero venezuelano.
Há divergência até sobre a natureza do negócio. No anúncio inicial, Trump disse que os Estados Unidos haviam firmado um acordo com a Venezuela; o Departamento de Estado, por sua vez, afirma que se trata de uma negociação privada com uma empresa, sem participação do governo interino venezuelano.
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: Daniel Torok/Wikimedia Commons (Public domain)
