Propaganda eleitoral atribui ao presidente dos EUA interesse nos recursos naturais do Brasil; Departamento de Estado nega interferência.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibiu na quinta-feira uma propaganda de TV que acusa Donald Trump de tentar influenciar a eleição presidencial brasileira em favor de Flávio Bolsonaro. Segundo a peça, o objetivo seria ampliar interesses dos Estados Unidos sobre os recursos naturais do país.
A acusação surge a pouco mais de uma semana do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O Departamento de Estado dos EUA negou no mês passado que esteja interferindo na disputa e classificou como sem fundamento a alegação de uma ação para enfraquecer a eleição brasileira.
Acusações da campanha
No vídeo de um minuto, a narração afirma que Flávio Bolsonaro seria o candidato de Trump e associa uma eventual influência americana à exploração de riquezas brasileiras. Em publicação no X, Lula também acusou o adversário de querer entregar recursos naturais do país aos Estados Unidos.
De acordo com o jornal The Guardian, a propaganda cita reportagens sobre uma suposta atuação de empresas de tecnologia, um documento confidencial enviado pela Abin à Justiça Eleitoral e alegações de vínculos entre a campanha de Bolsonaro e a rede de doadores conservadores Rockbridge, cofundada pelo vice-presidente americano JD Vance.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, afirmou ao jornal que a campanha pretende alertar a população sobre o que chamou de ação ideológica dos Estados Unidos. Segundo ele, eventos nacionais estavam previstos para este domingo.
Reações e pressão diplomática
A preocupação com uma possível interferência não ficou restrita à esquerda. Renan Santos, também candidato de direita, criticou o comportamento de Trump e disse em vídeo nas redes sociais que não quer que o Brasil se torne um Estado vassalo dos EUA.
Ainda segundo o The Guardian, parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual apontam uma aparente tentativa do governo Trump de interferir e desestabilizar o processo eleitoral brasileiro. Eles pediram uma resposta até 1º de outubro e questionaram se o governo americano respeitará a eleição.
O jornal relata que a pressão atribuída a Washington inclui medidas diplomáticas e econômicas, como tarifas de 25% sobre importações brasileiras. Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, Lula disse que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e não aceitará ataques à vontade popular.
Calendário eleitoral e prazos
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados nas pesquisas, segundo o The Guardian. Se nenhum concorrente alcançar mais da metade dos votos no primeiro turno, haverá nova votação em 25 de outubro.
Prazos e etapas mencionados na reportagem.
- 1º de outubroResposta dos EUAPrazo pedido por democratas
- 4 de outubroPrimeiro turnoEleição presidencial
- 25%Tarifas citadasSobre importações brasileiras
- 25 de outubroSegundo turnoSe necessário
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
