Presidente argentino projetou crescimento de cerca de 3% neste ano, apesar de contração da economia no segundo trimestre.
O presidente da Argentina, Javier Milei, rejeitou preocupações sobre uma possível recessão e afirmou estar confiante em sua reeleição no próximo ano. A declaração foi dada na quinta-feira, em entrevista ao editor-chefe da Bloomberg News, John Micklethwait, no Economic Club de Nova York.
Milei disse não enxergar problemas no crescimento e estimou expansão de cerca de 3% em 2026, possivelmente um pouco menor. A fala ocorre após a economia argentina encolher 0,6% no segundo trimestre, a primeira retração trimestral em dois anos, segundo a Bloomberg.
Indicadores apontam desaceleração
Dados divulgados na quinta-feira mostraram queda de 2,9% na atividade econômica em julho ante o mês anterior. Na comparação anual, a atividade recuou 1,4%, enquanto a pobreza aumentou no primeiro semestre do ano, de acordo com a fonte.
Indicadores citados pela Bloomberg após fala de Milei.
- 3%Crescimento projetadoEstimativa de Milei para 2026
- -2,9%Atividade em julhoEm relação ao mês anterior
- 2,1%Projeção de economistasPrevisão em agosto
- 38%Aprovação de MileiPesquisa de agosto
- quase 250 milEmpregos privados perdidosDesde antes do mandato

Economistas consultados pelo Banco Central da Argentina reduziram, em agosto, a projeção de crescimento para 2,1%. Em dezembro, a estimativa era de 3,5%.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Contração no 2º trimestre | 0,6% |
| Atividade em julho ante junho | -2,9% |
| Atividade em julho, em um ano | -1,4% |
| Projeção de crescimento dos economistas | 2,1% |
Emprego e aprovação
A pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg News apontou aprovação de Milei em 38% em agosto, próxima dos menores níveis de seu governo. Cerca de 70% dos argentinos classificaram o mercado de trabalho como ruim, segundo o levantamento.
A Argentina perdeu quase 250 mil empregos privados desde pouco antes do início do mandato de Milei, e o desemprego chegou a quase 8%, informou a Bloomberg. O presidente contestou o peso das pesquisas e declarou que a economia criou 520 mil postos, em sua maioria informais.
Para Milei, os indicadores convencionais não captam uma transformação estrutural da economia, especialmente na expansão do setor de petróleo e gás. Ele atribuiu a informalidade ao receio do setor privado de uma volta de políticas intervencionistas após a eleição.
Eleição e controles cambiais
Antes da disputa geral de 2027, a Argentina terá a primária nacional conhecida como PASO. Milei enviou ao Congresso, no início do ano, um projeto para extinguir essa votação preliminar, argumentando que ela representa uma ferramenta de “política suja”.
O presidente também afirmou que o país ainda mantém controles de capital e um regime de câmbio administrado. Segundo a Bloomberg, o peso argentino havia se desvalorizado 3,7% frente ao dólar no ano até agosto, enquanto os preços ao consumidor avançaram 21%.
O que muda no cenário argentino
A desaceleração passou a alimentar o debate entre analistas sobre o risco de recessão técnica e sobre o impacto eleitoral para Milei. O presidente, porém, afirmou estar “muito tranquilo” com suas perspectivas e manteve a previsão de crescimento semelhante para o próximo ano.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)
