Forças de Tigré tomaram aeroportos da região, enquanto governo federal e autoridades locais trocam acusações sobre ofensivas.
A tomada de aeroportos por forças de Tigré elevou o temor de uma retomada da guerra no norte da Etiópia. Os confrontos também se espalharam para as regiões vizinhas de Afar e Amhara, segundo autoridades etíopes e representantes de Tigré.
O governo federal acusa as forças ligadas à Frente de Libertação do Povo Tigrai (TPLF, na sigla em inglês) de iniciar uma ofensiva ampla. As autoridades de Tigré afirmam que reagiram a ataques de tropas federais. A escalada ocorre após meses de impasse sobre território, poder político e a execução do acordo de paz firmado em 2022.
Aeroportos e voos afetados
A Ethiopian Airlines suspendeu os voos para Tigré depois da tomada dos aeroportos na região. A capital regional, Mekelle, e o sul de Tigré concentraram ataques com drones realizados por forças etíopes nos últimos meses, de acordo com o Armed Conflict Location and Event Data Project (ACLED).
A TPLF controla politicamente Tigré e anunciou no domingo uma aliança com outros seis grupos armados e políticos. O objetivo declarado é retirar o primeiro-ministro Abiy Ahmed do poder e estabelecer um governo de transição na Etiópia.
Disputa após o acordo de 2022
A TPLF e o governo federal travaram uma guerra de dois anos em Tigré, encerrada pelo acordo de paz de 2022. Estimativas mencionadas pela NPR apontam que o conflito deixou cerca de 600 mil mortos.
Fatos citados sobre a disputa política e militar na região.
- 1991Mudança de poderforças tigrínias derrubaram regime militar
- 2012Morte de Zenawilíder da TPLF deixa o governo
- 2022Acordo de pazfim da guerra em Tigré
- maioRetomada regionalTPLF reassume governo de Tigré
Em maio, a TPLF voltou a assumir o controle do governo regional de Tigré, após anos de administração por um governo interino criado pelo acordo de paz. Desde então, os dois lados têm se acusado mutuamente de descumprir os termos do entendimento.
Tigré é a região mais ao norte da Etiópia, faz fronteira com a Eritreia e reúne a maior parte da população tigrínia do país. Embora os tigrínios representem cerca de 6% da população etíope, tiveram participação relevante na política nacional desde a derrubada do regime militar em 1991.
Pressão por contenção
Alan Boswell, diretor para o Chifre da África do International Crisis Group, avalia que a resposta do governo federal será decisiva para definir se o conflito será contido ou avançará para uma nova guerra em larga escala. Ele também alertou para o risco de envolvimento da Eritreia caso os combates se ampliem.
A presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, pediu desescalada imediata e a retomada das negociações. O embaixador dos Estados Unidos na Etiópia, Ervin J. Massinga, criticou a decisão da TPLF de lançar uma ofensiva de grande porte.
Próximos passos
O governo federal ainda não informou qual será sua resposta à tomada dos aeroportos e aos confrontos. A região do Chifre da África já enfrenta outros conflitos, entre eles a guerra no Sudão, que dura mais de três anos, além de combates em Amhara e Oromia, dentro da Etiópia.
Com informações de npr.org.
Foto de capa: N509FZ/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
