Ao menos cinco funcionários podem ter consultado sem autorização os dados médicos de Oliver McGowan, segundo a família e o NHS Trust.
O Bristol NHS Foundation Trust, no Reino Unido, investiga possíveis acessos sem autorização ao prontuário de Oliver McGowan, jovem autista de 18 anos que morreu em 2016 no Hospital Southmead, em Bristol. A mãe dele, Paula McGowan, foi informada de que pelo menos cinco funcionários podem ter consultado os registros até este ano, mesmo sem participação no atendimento.
Três profissionais de enfermagem estão sob investigação formal, e um médico que já não trabalha para o trust se apresentou ao General Medical Council, órgão regulador da profissão médica. O hospital afirmou que lamenta o sofrimento causado à família e comunicou ter encaminhado voluntariamente o caso ao Information Commissioner's Office, autoridade britânica de proteção de dados.
O que está sob investigação
Segundo as informações recebidas por Paula McGowan, 38 pessoas acessaram os dados médicos do filho desde a morte dele. Foram visualizados 637 itens do prontuário, dos quais 67 foram impressos. A maior parte dos acessos foi considerada ligada a procedimentos como reclamações, ações legais e o inquérito do legista sobre a morte.
Dados informados à família durante a apuração em Bristol.
- 38 pessoasAcessos registradosdesde a morte
- 637Itens visualizadosno prontuário
- 67Itens impressosdos registros médicos
- 13Casos em análiseenvolvem ex-funcionários
As apurações iniciais, porém, não encontraram justificativa profissional para que três enfermeiros, sem vínculo com o atendimento de Oliver, vissem os registros. Um quarto funcionário tem o caso analisado separadamente. A mãe relatou à BBC que recebeu a informação de que uma enfermeira teria buscado os arquivos por interesse geral em medicamentos antipsicóticos e no atendimento a pessoas com deficiência intelectual.
A instituição também examina 13 casos de acessos feitos por ex-funcionários, entre médicos, enfermeiros e trabalhadores administrativos. De acordo com o trust, ainda seria inadequado chegar a conclusões antes do fim das investigações, mas eventuais faltas serão tratadas pelos procedimentos disciplinares pertinentes.
Dados que motivaram a apuração
Oliver McGowan tinha deficiência intelectual leve e epilepsia. Ele morreu após receber medicação antipsicótica que, segundo a família, não deveria ter sido administrada; uma investigação anterior sobre o caso concluiu que a morte poderia ter sido evitada.
Prontuários do NHS podem reunir resultados de exames, resumos de alta, prescrições, avaliações de risco, preocupações de proteção e trocas de informações entre profissionais. Os serviços de saúde não usam um único sistema eletrônico nacional: hospitais, clínicas especializadas e consultórios mantêm registros próprios e definem quem pode acessá-los.
Os sistemas devem registrar quem consultou cada arquivo e em que momento. O NHS England declarou que acessar dados sem uma razão profissional válida é uma violação da confiança dos pacientes e pode levar a medidas disciplinares, demissão e eventual responsabilização criminal.
Casos de acesso indevido no NHS
O episódio ocorre após alertas do NHS sobre consultas indevidas a informações confidenciais. Em julho, o diretor do NHS England, Sir Jim Mackey, advertiu que funcionários poderiam perder o emprego ou até responder criminalmente por esse tipo de conduta.
Levantamento do Health Services Journal, citado pela BBC, apontou que ao menos 214 funcionários do NHS perderam o emprego e cerca de 2.000 receberam sanções por consultar dados sensíveis sem autorização nos últimos cinco anos. O caso de Bristol permanece em investigação.
Com informações de bbc.co.uk.
Foto de capa: Dietmar Rabich/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
