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‘Tarifaço’ reúne influências árabes, latinas, tupis e italianas

Artigo analisa as origens árabes, italianas, latinas, tupis e hispânicas reunidas na palavra “tarifaço”.

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‘Tarifaço’ reúne influências árabes, latinas, tupis e italianas
Foto: Manuel de Sousa/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Artigo publicado nesta quarta-feira analisa como a formação da palavra reflete a circulação histórica entre idiomas.

A palavra “tarifaço”, usada para se referir a cobranças sobre importações, combina uma origem árabe com um sufixo que ganhou usos variados no português brasileiro. A análise foi publicada nesta quarta-feira (23) por um professor da Universidade Federal do Paraná e integrante do conselho curatorial do Museu da Língua Portuguesa.

Segundo o autor, o termo ajuda a mostrar como os idiomas incorporam influências de diferentes povos e regiões, mesmo quando fronteiras políticas ou econômicas tentam separar países. No texto, ele relaciona a expressão ao debate sobre tarifas impostas a mercadorias brasileiras.

De registro a valor cobrado

A base da palavra, “tarifa”, veio do árabe. O artigo afirma que ela deriva de um verbo associado à ideia de informar e que, inicialmente, tinha sentido próximo de registro ou anotação.

A palavra se espalhou pelo Mediterrâneo medieval e foi incorporada ao italiano. Nesse percurso, passou a designar não apenas o registro de um valor, mas o próprio valor cobrado em uma transação comercial, de acordo com a análise.

Os muitos sentidos de “-aço”

Já o final “-aço” pode ter origens e funções distintas. Em palavras como “sanhaço”, há uma forma ligada ao tupi “açu”, com o sentido de grande; em outras, o sufixo vem do latim “aceus”, origem que explica a grafia com cedilha.

O autor aponta que os dois elementos passaram a ter valores semelhantes no português brasileiro. O sufixo pode indicar aumento ou intensidade, como em “filmaço”, reforçar força ou qualidade, como em “chutaço”, ou aparecer em substantivos já consolidados, caso de “cansaço”.

Influências que atravessam fronteiras

O texto também cita o sufixo argentino “azo”, frequente no vocabulário futebolístico e associado à popularização de termos como “golaço” no Brasil. Entre outros exemplos, menciona “pneuaço”, nome usado em um comercial de pneu no começo dos anos 1980, e “Abraçaço”, de Caetano Veloso.

Para o professor, a criação de “tarifaço” reúne esses percursos linguísticos: um radical árabe, uma mudança de sentido ocorrida no italiano e um sufixo moldado por influências latinas, tupis e hispânicas. A conclusão do artigo é que as palavras circulam e se transformam com liberdade maior do que as fronteiras nacionais.

Com informações de redir.folha.com.br.

Foto de capa: Manuel de Sousa/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Autor

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. Publica conteúdo em mais de 2.000 sites parceiros e é o responsável pelo Revista Ideal.

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