Atriz afirmou que teve ceratite, quemose e alteração na pálpebra após cirurgia feita em fevereiro.
A atriz Rita Guedes, de 54 anos, relatou em vídeo publicado na terça-feira (22) que enfrentou complicações depois de uma blefaroplastia realizada em fevereiro. Segundo ela, o quadro incluiu ceratite, quemose e alteração no funcionamento da pálpebra, e houve risco de perda da visão no olho direito.
Rita atribuiu o caso a erro médico e disse que o procedimento durou seis horas. A atriz afirmou não ter operado com um profissional especializado em olhos, mas não informou o nome nem a especialidade do médico.
O que é a blefaroplastia
A blefaroplastia retira o excesso de pele das pálpebras e pode envolver a remoção ou o reposicionamento de gordura. Conforme Cristina Pires Camargo, professora da Faculdade de Medicina da USP e integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o procedimento pode ser feito por cirurgião plástico ou por oftalmologista com formação em cirurgia oculopalpebral, geralmente com alta no mesmo dia.
Inchaço, hematomas e vermelhidão fazem parte do pós-operatório esperado. A oftalmologista Juliana Lasneaux Ribeiro, do CBV-Hospital de Olhos, afirma que também pode ocorrer hemorragia subconjuntival, que deixa a parte branca do olho avermelhada.
Complicações relatadas pela atriz
A quemose é um inchaço da conjuntiva, membrana que recobre o olho, e pode dar a aparência de uma bolha. Segundo Ribeiro, o problema é relativamente comum e costuma melhorar em até 15 dias, mas, se persistir, pode dificultar o fechamento do olho e causar lesões na córnea.
A ceratite, outra condição mencionada por Rita, é uma inflamação da córnea que pode estar associada ao ressecamento ocular depois da cirurgia. Dor e sensação de areia nos olhos podem ocorrer, e o tratamento pode incluir colírios e pomadas, segundo a especialista.
Rita também disse que o músculo levantador da pálpebra ficou temporariamente paralisado e que seu olho direito permanece cerca de 60% aberto. Ribeiro classificou a lesão desse músculo como grave, pois a função nem sempre é recuperada, mesmo após uma reinserção.
Sinais que exigem atendimento
A retirada excessiva de pele pode impedir o fechamento dos olhos e deixar a córnea exposta, inclusive durante o sono. Conforme Ribeiro, o ressecamento pode evoluir para úlcera e, em casos graves, perfuração da córnea; a prioridade nesses casos é proteger o olho e preservar a visão.
A especialista cita sinais que devem levar o paciente a procurar atendimento:
- dor;
- visão turva ou redução da acuidade visual;
- secreção purulenta;
- sensação persistente de areia nos olhos;
- olho projetado para frente ou dificuldade para movimentá-lo.
Outros procedimentos mencionados
A atriz afirmou que soube posteriormente que teria ocorrido uma queimadura durante a operação. Segundo Ribeiro, lesões térmicas pelo cautério são raras, mas podem atingir pele, cílios ou córnea e, conforme a extensão, deixar cicatriz e comprometer a visão.
Rita também relatou ter passado por uma cantopexia sem informação prévia. De acordo com a oftalmologista, a técnica reforça o tendão da pálpebra inferior e pode ser associada à blefaroplastia, mas deve ser comunicada antes ao paciente; diferenças entre os lados podem provocar assimetria e exigir nova cirurgia.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Sérgio Savarese from Sao Paulo City / Ipiranga, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
