Regulador inglês concluiu investigação de dois anos após a morte de um diretor de segurança da entidade em 2023.
A Save the Children International recebeu uma advertência formal da Charity Commission for England and Wales por falhas de gestão e condutas inadequadas que expuseram funcionários do escritório da organização no Iêmen a riscos graves. Segundo o regulador, a governança local não protegeu adequadamente a equipe diante de uma preocupação de segurança em curso.
A apuração durou dois anos e foi aberta após a morte do diretor de segurança e proteção Hisham al-Hakimi, em outubro de 2023. Ele havia sido detido por autoridades iemenitas; a organização afirma que talvez nunca consiga esclarecer plenamente as circunstâncias da detenção e da morte.
Falhas apontadas pelo regulador
A Charity Commission afirmou que houve violações relevantes de políticas internas e falta de responsabilização no escritório iemenita. De acordo com a advertência, dirigentes locais não avaliaram nem encaminharam de forma suficiente queixas e relatos feitos por denunciantes internos.
O regulador também determinou que a Save the Children International mantenha recursos adequados para proteger funcionários e outras pessoas que trabalham com a entidade. Para Stephen Roake, diretor assistente de conformidade de alto risco da comissão, operações em ambientes instáveis exigem supervisão apropriada das atividades no exterior.
O que encontrou a apuração interna
Uma investigação interna realizada pela Save the Children em 2024 identificou uma cultura de trabalho negativa no escritório do Iêmen. Segundo a entidade, o ambiente deixou profissionais desiludidos e marginalizados.
A organização pediu desculpas aos funcionários e reconheceu que não avaliou corretamente os riscos enfrentados pela equipe em meio à piora da segurança no país. A Save the Children informou ainda que fechou seu escritório no norte do Iêmen por motivos de segurança e que outro integrante da instituição estaria atualmente detido.
Medidas anunciadas pela organização
A Save the Children disse aceitar as conclusões sobre deficiências graves de governança, gestão, supervisão e cumprimento de políticas no período analisado. A entidade afirma que, desde 2024, instalou uma nova liderança no Iêmen e adotou mudanças para ampliar o controle das operações e o apoio aos funcionários.
Entre as medidas informadas estão avaliações de risco de detenção, revisão dos procedimentos de gestão de incidentes e reforço da resposta a crises. A organização declarou que continuará trabalhando com a Charity Commission enquanto mantém a assistência a crianças no país.
Crise humanitária no país
O escritório da Save the Children no Iêmen alertou na semana passada para uma situação humanitária catastrófica, associada à escalada do conflito, ao colapso dos serviços de saúde e a surtos de doenças. A entidade oferece atendimento médico emergencial, abrigo e água potável a famílias deslocadas.
Dados citados sobre a crise e a apuração
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
Segundo a organização, mais de 1.000 pessoas foram mortas ou feridas e dezenas de milhares tiveram de deixar suas casas nas últimas semanas em razão dos combates entre os houthis, aliados ao Irã, e forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita.
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: المصور أنس الحاج/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
