Kyriakos Mitsotakis defende a reunificação das esculturas em Atenas, sem reconhecimento da propriedade do Museu Britânico.
O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que ainda pode haver um acordo para levar os mármores do Partenon de volta a Atenas, desde que haja vontade política. Em artigo publicado pelo The Guardian, ele rejeitou qualquer solução que obrigue a Grécia a reconhecer a propriedade das esculturas pelo Museu Britânico.
Mitsotakis também descartou um modelo de empréstimo, como o adotado pela França para enviar a Tapeçaria de Bayeux ao Reino Unido por dez meses. Para o premiê, a situação é diferente porque parte do friso do Partenon já está em Atenas, e a saída aceitável seria a reunificação das esculturas na Grécia.
Impasse nas negociações
As declarações foram feitas em meio a dúvidas sobre as conversas entre o governo grego e o Museu Britânico. O Telegraph informou que as tratativas estariam perto de fracassar, mas fontes próximas às negociações contestaram essa avaliação, embora tenham reconhecido uma distância considerável entre as posições das partes.
O Museu Britânico informou que sua posição e sua disposição para chegar a um acordo permanecem inalteradas. Nicholas Cullinan, diretor da instituição, havia citado o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux como exemplo de parceria internacional, sem apontá-lo como um modelo obrigatório para as peças gregas.
Disputa dura décadas
Os mármores, também chamados de mármores de Elgin, integravam o friso monumental do Partenon e foram esculpidos há 2.500 anos por Fídias. Lord Elgin, então embaixador britânico no Império Otomano, retirou as obras de Atenas há mais de 200 anos e as vendeu ao governo britânico em 1816.
Datas citadas na história das esculturas do Partenon.
- 2.500 anosEsculturas do frisoObras atribuídas a Fídias
- 1816Venda ao Reino UnidoApós retirada de Atenas
- 1963Lei do museuRestringe remoção permanente
- 2023Conversas confirmadasOsborne citou negociações

A Grécia considera que as esculturas foram saqueadas. Já o Reino Unido mantém uma lei que impede o Museu Britânico de remover permanentemente itens de seu acervo: o British Museum Act de 1963.
Em 2023, George Osborne, presidente do Museu Britânico, confirmou conversas com a Grécia sobre um possível entendimento. Na época, foi cogitada uma fórmula em que as esculturas passariam períodos em Londres e Atenas, enquanto o Reino Unido receberia tesouros gregos em troca.
Próximos passos
Mitsotakis defende que uma solução abra espaço para uma parceria cultural duradoura entre os dois países. Segundo ele, a cooperação poderia incluir exposições, pesquisa, conservação e intercâmbios entre museus gregos e britânicos, mas sem que Atenas aceite tomar emprestada uma parte do próprio monumento.
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: Ham/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
