Campanhas adotaram estratégias distintas no horário eleitoral veiculado na quarta-feira (23).
Fernando Haddad (PT) usou a propaganda eleitoral de TV para pedir que os eleitores deixem as “paixões políticas” de lado e para atacar a ausência de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um debate. Na disputa pelo Governo de São Paulo, a menos de duas semanas do primeiro turno, o petista também prometeu rever contratos de privatização caso seja eleito.
Tarcísio, por sua vez, não citou o adversário nem as privatizações da Sabesp e das linhas da CPTM em sua peça exibida na quarta-feira (23). Líder da corrida, com 49% das intenções de voto segundo o Datafolha, o governador apresentou ações de sua gestão voltadas a diferentes fases da vida.
Rejeição e intenções de voto
Haddad aparece com 29% das intenções de voto para o primeiro turno, de acordo com a pesquisa mais recente do Datafolha citada pela Folha. O levantamento apontou ainda que 48% dos paulistas dizem que não votariam nele de forma alguma, índice próximo dos 47% registrados em agosto.
Dados do Datafolha citados pela Folha.
- 49%Tarcísiointenções de voto
- 29%Haddadintenções de voto
- 48%Rejeição a Haddadnão votariam nele
- 54%Contra privatizar Sabespeleitores paulistas
- 56%Contra privatizar metrôeleitores metropolitanos
Na propaganda, o candidato exibiu a cadeira vazia que seria destinada a Tarcísio no debate da TV Record realizado na segunda-feira (21). O governador justificou a ausência com compromissos oficiais de gestão.
Haddad também defendeu a revisão dos contratos da Sabesp, dos pedágios Free Flow e da CPTM. Segundo ele, os serviços poderiam voltar ao controle estatal se isso fosse necessário.
Estratégia de Tarcísio evita tema sensível
A propaganda de Tarcísio apresentou iniciativas desde a educação infantil e a formação técnica de jovens até ações destinadas a idosos. O programa também citou os Centros TEA, voltados a mães de crianças atípicas, além do Turismo 60+ e do Qualifica 60+.
O governador adotou postura diferente da campanha de 2022, quando prometia privatizar a Sabesp. A companhia foi privatizada em 2024, em uma operação de R$ 14,8 bilhões, que reduziu a participação do estado de São Paulo de 50,3% para 18,3%.
Segundo a Folha, moradores da região metropolitana reclamam principalmente da redução da pressão da água durante a noite. Em pesquisa Datafolha de julho, 54% dos eleitores paulistas se declararam contrários à privatização da Sabesp, enquanto 31% eram favoráveis e 15% não tinham opinião.
CPTM e metrô também enfrentam críticas
As concessões de linhas da CPTM também são alvo de críticas de usuários por falhas operacionais. A Folha citou um incêndio na Linha 12-Safira no terceiro dia de operação da concessionária privada Trivia Trens, em julho.
Em agosto, Tarcísio afirmou que não concederá à iniciativa privada as quatro linhas administradas pelo Metrô e que reavaliará os efeitos operacionais das concessões. Para o Datafolha, 56% dos eleitores da região metropolitana de São Paulo são contra a privatização das linhas de metrô; 37% apoiam, e 7% não têm opinião ou se dizem indiferentes.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Ciete Silvério/Governo do Estado de SP/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
