Reeleição de N. Chandrasekaran e possível abertura de capital da holding estão no centro do impasse.
Uma disputa de poder entre a Tata Sons, holding do Grupo Tata, e a Tata Trusts, sua acionista majoritária, ganhou força na Índia após a renovação do mandato de N. Chandrasekaran na presidência da empresa. O conflito envolve também a possibilidade de listar a holding em bolsa, medida à qual a entidade filantrópica ligada à família Tata se opõe.
O confronto foi deflagrado em 17 de setembro, quando o conselho da Tata Sons reconduziu Chandrasekaran por quatro votos a um, contrariando Noel Tata, presidente da Tata Trusts e indicado da entidade no colegiado. A Tata Trusts detém 66% da Tata Sons, enquanto o Grupo Shapoorji Pallonji possui 18,4% e é o segundo maior acionista.
Reeleição é contestada
Noel Tata classificou a recondução de Chandrasekaran como ilegal, segundo declaração citada pela Al Jazeera. Ele argumentou que os dois representantes da Tata Trusts no conselho deveriam votar de forma coordenada; Venu Srinivasan, o outro indicado da entidade, apoiou a permanência do presidente.
Chandrasekaran havia dito no mês passado que não buscaria novo mandato depois de fevereiro de 2027. Em comunicado, o Grupo Tata informou que o conselho pediu que ele reconsiderasse a decisão em nome dos interesses mais amplos do conglomerado, e ele aceitou.
Bolsa e saída de acionista estão em jogo
A discussão sobre uma abertura de capital aumentou depois de o Reserve Bank of India rejeitar o pedido da Tata Sons para deixar de ser registrada como empresa financeira não bancária. Segundo a reportagem, a regra do banco central exige listagem pública de companhias com ativos superiores a US$ 10,45 bilhões.
Participações, valor de mercado e possível venda de ações citados no conflito.
- 66%Tata Trustsparticipação na Tata Sons
- 18,4%Shapoorji Pallonjiparticipação na Tata Sons
- US$ 2,61 bilhõesVenda propostaparte da participação acionária
- 26Empresas listadasintegrantes do Grupo Tata
- US$ 277 bilhõesValor de mercadocompanhias listadas do grupo
A Tata Sons afirmou, durante a reunião do conselho, que adotaria medidas para cumprir a exigência. Noel Tata se opôs, afirmando que a listagem mudaria a natureza do grupo e poderia afetar suas atividades filantrópicas, conduzidas pelas entidades controladoras.
O tema também interessa ao Grupo Shapoorji Pallonji, que busca transformar em dinheiro sua participação na Tata Sons em meio a dívidas. A Tata Trusts disse que Noel apresentou uma proposta para vender parte dessa fatia por US$ 2,61 bilhões, mas a Tata Sons ainda não comentou o plano. O Shapoorji Pallonji apoia a abertura de capital e diverge da posição de Noel Tata.
Peso do conglomerado
O Grupo Tata reúne negócios de tecnologia, automóveis, aço, energia, aviação, produtos químicos e bens de consumo. São 26 companhias listadas, entre elas TCS e Tata Motors, com valor de mercado combinado de US$ 277 bilhões e atuação em mais de 100 países, de acordo com a InGovern.
A definição do conflito pode afetar 17,7 milhões de acionistas de varejo das empresas listadas do grupo, além de fundos de pensão, seguradoras e fundos mútuos, segundo a consultoria de investimentos. A Tata Sons permanece como a principal holding e empresa de investimentos da estrutura do conglomerado.
Com informações de aljazeera.com.
Foto de capa: Philafrenzy/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
