Estudo do IPPR atribui perdas à falta de reconhecimento mútuo de testes de produtos entre Reino Unido e União Europeia.
O Reino Unido deixa de exportar para a União Europeia entre £3,7 bilhões e £6,5 bilhões por ano desde que entraram em vigor, em 2021, as regras comerciais posteriores ao Brexit, segundo estudo do think tank IPPR divulgado nesta quarta-feira (24). A estimativa se refere à ausência de um acordo para que Londres e Bruxelas reconheçam mutuamente avaliações e testes de produtos.
De acordo com o IPPR, empresas britânicas abandonaram vendas ao bloco europeu ou criaram subsidiárias dentro da UE para lidar com custos administrativos e exigências duplicadas. O instituto calcula que a perda equivale a cerca de 0,18% da renda nacional anual do Reino Unido.
Regras diferentes elevam custos
Um acordo de reconhecimento mútuo permitiria que autoridades britânicas e europeias aceitassem as avaliações de produtos feitas do outro lado. Para isso, o IPPR defende um modelo de alinhamento dinâmico, no qual o Reino Unido manteria regras relevantes em sintonia com as da União Europeia.
O relatório afirma que essa medida reduziria custos e incertezas para exportadores. Segundo o instituto, a perda comercial estimada é cerca de três vezes o ganho que o governo britânico espera obter com o acordo CPTPP, que reúne Japão, Canadá, Austrália e Singapura, entre outros países.
Setores mais afetados
A indústria automotiva teria a maior alta anual nas exportações caso houvesse o acordo, conforme os cálculos do IPPR. O levantamento também aponta impactos relevantes sobre eletrônicos e produtos farmacêuticos.
Valores anuais calculados pelo IPPR sem acordo de reconhecimento mútuo.
- £3,7 bilhões a £6,5 bilhõesPerda anual totaldesde 2021
- 0,18%Renda nacionalimpacto estimado
- £2,48 bilhões a £3,42 bilhõesVeículos e peçasalta potencial anual
- £1,17 bilhão a £1,67 bilhãoEletrônicosalta potencial anual
- £740 milhões a £820 milhõesFarmacêuticosalta potencial anual
- Veículos e peças poderiam exportar entre £2,48 bilhões e £3,42 bilhões a mais por ano.
- Produtos eletrônicos teriam aumento entre £1,17 bilhão e £1,67 bilhão.
- Exportações farmacêuticas cresceriam entre £740 milhões e £820 milhões anuais.
Joseph Sassoon, economista e coautor do estudo, disse que a pesquisa procurou separar o efeito das barreiras regulatórias de outros fatores que podem ter reduzido as exportações. Entre os elementos testados estavam impactos da pandemia, mudanças nas cadeias globais de suprimento, sanções à Rússia, choques no mercado de energia e alterações nos padrões de reexportação.
Debates com Bruxelas
Mais cedo neste ano, o governo de Keir Starmer propôs à União Europeia a criação de um mercado único de bens entre as partes, mas a ideia foi rejeitada por autoridades europeias. Segundo a fonte, a UE sinalizou interesse em cooperação mais profunda, desde que princípios fundamentais do bloco fossem respeitados, sem seleção de políticas convenientes.
Na conferência do Partido Liberal-Democrata nesta semana, o líder Ed Davey afirmou que buscaria negociações para que o Reino Unido voltasse ao mercado único e à união aduaneira europeia caso sua legenda chegasse ao poder em Westminster. Ele disse que a medida aproximaria o país de seu maior parceiro comercial e ampliaria as exportações.
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: Colin/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
