Textos buscam facilitar a procura por tratamento por pilotos e controladores sem comprometer indevidamente suas carreiras.
O Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade, na noite de quinta-feira (24), dois projetos para atualizar as orientações sobre saúde mental de pilotos e controladores de tráfego aéreo. As propostas procuram estimular a busca precoce por atendimento e reduzir o estigma no setor, mas ainda dependem da aprovação da Câmara dos Representantes para virar lei.
Um dos textos, apresentado pelos senadores John Hoeven, do Partido Republicano, e Tammy Duckworth, do Partido Democrata, trata das normas para o acompanhamento de saúde mental. O outro determina que a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) divulgue orientações acessíveis sobre os medicamentos permitidos a esses profissionais.
Regras e receio de procurar ajuda
Segundo a reportagem, pilotos de empresas aéreas comerciais podem deixar de revelar problemas de saúde mental por temerem perder a licença ao fazer terapia, usar medicamentos ou buscar ajuda. A discussão voltou a ganhar atenção após um piloto da Alaska Airlines, que estava fora de serviço, ser acusado no fim de 2023 de tentar desligar os motores de uma aeronave durante um voo; ele disse à polícia que enfrentava um colapso nervoso.
As regras atuais sobre medicamentos são rígidas. Pilotos podem ser afastados das funções por três meses se alterarem a dose de antidepressivos ou ansiolíticos, ou se trocarem os remédios usados no tratamento de problemas de saúde mental.
Tammy Duckworth afirmou que as carreiras desses profissionais não deveriam ficar ameaçadas por falta de informação sobre medicamentos autorizados ou pela procura de atendimento. Para John Hoeven, processos burocráticos e defasados da FAA mantêm pilotos e controladores fora do trabalho por períodos prolongados, em meio à escassez desses profissionais qualificados.
Dados da FAA e apoio dos pilotos
A FAA informou que continua atualizando sua abordagem a partir das melhores evidências médicas disponíveis. A agência declarou que incentiva pilotos a procurarem ajuda no início dos problemas e afirmou que a maior parte das condições, quando tratada, não impede o exercício da atividade.
Dados citados pela FAA e pela Allied Pilots Association.
- 20%Afastados inicialmenteRelatam problema de saúde mental
- mais de um anoAutorização de antidepressivoPode levar esse período
- 17 milPilotos representadosPela Allied Pilots Association
- três mesesAfastamento após mudançaDose ou troca de medicamento
O órgão ainda implementa recomendações de um painel de especialistas reunido no fim de 2023. Conforme o relatório do grupo, cerca de 20% dos pilotos e controladores que relatam um problema de saúde mental são inicialmente afastados do trabalho, enquanto a autorização para o uso de um antidepressivo pode levar mais de um ano.
A Allied Pilots Association, entidade que representa 17 mil pilotos da American Airlines, avaliou que a aprovação dos projetos é um avanço para modernizar a abordagem da FAA. Nick Silva, presidente da associação, disse que os pilotos enfrentam obstáculos há muito tempo para buscar atendimento e lidar com a certificação médica.
Próximos passos
Os dois projetos seguirão para análise da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Só depois de aprovados também pelos deputados poderão se tornar lei.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Harrison Keely/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
