Unidades estão previstas até 2027; especialistas apontam desinformação e falta de participação nas decisões sobre os terrenos.
A implantação de cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) no Distrito Federal enfrenta resistência de moradores das regiões escolhidas. Os protestos, registrados nos últimos meses, incluem preocupações com segurança, impacto ambiental e uso dos terrenos para lazer. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, as unidades estão previstas até 2027; a do Gama começou a funcionar em julho.
Os Caps atendem pessoas em intenso sofrimento psíquico. A ampliação da rede responde à baixa cobertura do serviço no DF, apontada em recomendação do Ministério Público. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o desconhecimento sobre o atendimento também alimenta a oposição aos novos centros.
Debate sobre os terrenos
Em Taguatinga, moradores questionam a escolha de um lote que, segundo eles, ficou abandonado pelo poder público e vinha sendo cuidado pela comunidade. O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília Frederico Flósculo defende audiências públicas para discutir decisões desse tipo. Ele também critica projetos arquitetônicos que isolam as unidades, em vez de aproximá-las dos bairros.
A subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, afirma que memes sobre os Caps reforçam o estigma contra os serviços e seus usuários. Já o professor de saúde pública Silvio Yasui defende atividades abertas à comunidade nos centros. Pelo modelo de atendimento do SUS, as unidades ficam dentro dos bairros para favorecer a reabilitação e a vida em comunidade.
Cobertura e expansão
De acordo com o Ministério da Saúde, o DF tinha, em 2025, 0,54 Caps para cada 100 mil habitantes, a segunda pior cobertura do país. Com a abertura da unidade do Gama, a rede passou a ter 19 centros. As cinco unidades previstas no plano de expansão ficam em:
- Gama, em funcionamento desde julho;
- Recanto das Emas, com inauguração prevista para outubro de 2026;
- Ceilândia e Taguatinga, com conclusão prevista para 2027;
- Guará, sem data de conclusão informada no material divulgado.
A Secretaria de Saúde prevê ainda outros sete Caps entre 2027 e 2029. Segundo a pasta, essa etapa depende de recursos disponíveis e de terrenos adequados.
Como funciona o atendimento
O Caps é um serviço público de acolhimento, tratamento e reabilitação para pessoas em intenso sofrimento psíquico. O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional e o tratamento é voluntário. As unidades fazem parte da rede de saúde mental do SUS.
Com informações de g1.
