Monitoramento por câmeras e coleiras acompanha a recuperação da espécie, considerada funcionalmente extinta em 2018.
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O projeto Saving Wildcats reintroduziu 46 gatos-selvagens escoceses nas planícies e áreas de sopé dos Cairngorms, na Escócia. A iniciativa cria os animais em cativeiro, avalia sua capacidade de sobreviver na natureza e acompanha os exemplares após a soltura.
Segundo a parceria, as fêmeas liberadas desde 2024 já tiveram pelo menos 20 ninhadas nascidas na natureza. O avanço abre caminho para planos de levar novas populações a outras partes da Escócia, onde a espécie nativa é classificada como criticamente ameaçada.
Câmeras avaliam comportamento antes da soltura
Uma sala sem janelas concentra imagens de 72 câmeras instaladas nos recintos de criação. A equipe observa se os gatos escalam, saltam, percorrem estruturas complexas e mantêm atividade em horários naturais, além de registrar como se comportam sem a presença humana.

O contato com pessoas é reduzido ao mínimo para evitar que os animais se acostumem com humanos. Os pesquisadores também analisam se indivíduos mais ousados podem se aproximar de estradas, fazendas ou áreas habitadas depois de libertados.
Monitoramento continua no ambiente natural
Após a soltura, uma rede de câmeras de trilha — que pode chegar a 100 equipamentos ao mesmo tempo — registra os deslocamentos dos gatos nos Cairngorms. Eles também usam coleiras que se desprendem após cerca de sete a nove meses e transmitem um sinal diário por curto período.
Monitoramento e reprodução do projeto
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
De acordo com Louise Hughes, gerente de operações da parceria, os dados ajudam a identificar movimentos, hábitos de caça e os tipos de habitat usados pelos animais. Informações de avistamentos feitos pelo público também integram o acompanhamento.
Novas áreas e riscos climáticos
A estratégia nacional prevê localizar novos pontos de soltura e restaurar conexões entre habitats para ampliar a área ocupada pelos gatos-selvagens. Nas regiões escolhidas, gatos domésticos e ferais deverão receber microchip, castração e vacinação adicionais para reduzir cruzamentos com a espécie nativa.
A chefe de conservação e ciência da Royal Zoological Society of Scotland, Helen Senn, afirmou que tempestades, enchentes e um grande incêndio florestal ocorridos nos últimos anos na área de soltura reforçam a necessidade de manter populações em mais de um local. Para Martin Gaywood, da NatureScot, ao menos um novo projeto de translocação poderá começar nos próximos cinco anos, com possibilidade de dois.
Próximos passos
Antes de expandir o programa, a estratégia deverá definir novas áreas de soltura e promover a reconexão dos habitats. O trabalho realizado nos Cairngorms servirá de referência para futuras liberações em outras regiões escocesas.
Com informações de bbc.co.uk.
