Vice-líder do Labour disse que a sigla deve aproveitar a divisão à direita e deixar seus valores mais claros.
Lucy Powell, vice-líder do Partido Trabalhista britânico, afirmou que a legenda precisa reunir novamente sua base de eleitores progressistas para vencer a próxima eleição. Em entrevista ao jornal The Guardian publicada nesta sexta-feira, 26 de setembro, ela defendeu que o partido aproveite a divisão entre forças da direita.
Segundo Powell, o Labour voltou a ser ouvido por parte do eleitorado após uma troca de liderança e precisa comunicar com mais nitidez seus objetivos. Ela disse que o partido havia se tornado excessivamente técnico e pessimista, mas agora teria uma nova oportunidade sob o primeiro-ministro Andy Burnham.
Disputa com partidos progressistas
Powell afirmou que a tarefa do Labour é reconquistar eleitores que migraram para os Verdes, o Partido Nacional Escocês (SNP) e o Plaid Cymru. Na avaliação dela, esses grupos nem sempre enxergaram os trabalhistas como a alternativa mais eficaz para derrotar a direita.
A vice-líder também disse que parte de quem considerou votar no Reform UK perdeu a confiança no cenário político atual. Para ela, há uma maioria no país que rejeita a política de divisão e responsabilização de terceiros associada ao partido, mas essa parcela continua fragmentada entre diferentes siglas.
A dirigente citou resultados recentes como sinal de recuperação, entre eles a vitória de Burnham em Makerfield contra o Reform UK e resultados em eleições suplementares locais antes perdidas para os Verdes. Pesquisas mencionadas pelo Guardian indicam que o Labour voltou a aparecer, pela primeira vez em quase dois anos, próximo de uma maioria parlamentar.
Próxima eleição prevista para 2029
A melhora das pesquisas alimentou especulações de que Burnham poderia convocar uma eleição antecipada. O primeiro-ministro, porém, rejeitou essa hipótese na sexta-feira e informou que a próxima disputa ocorrerá em 2029, de acordo com o jornal britânico.
O partido inicia sua conferência neste fim de semana. Powell disse que a sigla deve falar de forma mais direta sobre temas como direitos trabalhistas, horas gratuitas de cuidado infantil e combate à pobreza entre crianças e aposentados.
Medidas nas escolas
Também secretária de Educação, Powell deve anunciar uma ampliação das ações contra assédio nas escolas. A proposta prevê que os estabelecimentos incorporem o debate sobre relações saudáveis e pertencimento em toda a vida escolar, e não apenas nas aulas de relações, sexo e saúde.
Segundo ela, a estratégia deve incluir conteúdos sobre deepfakes, abuso baseado em imagens e assédio on-line. Powell argumentou que o reforço das aulas, sem uma mudança mais ampla na cultura das escolas, não seria suficiente para alterar atitudes ligadas à misoginia.
Ela ainda associou a proibição de redes sociais para menores de 16 anos à necessidade de criar comunidades presenciais para jovens. A intenção, afirmou, é reduzir o isolamento em um ambiente no qual conteúdos e interações ficam concentrados nas plataformas digitais.
Com informações de theguardian.com.
Foto de capa: ©House of Commons / Laurie Noble/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
