Não há confirmação de que a planta tenha causado as mortes; especialistas apontam riscos ligados ao consumo e à falta de regulamentação.
Autoridades dos Estados Unidos emitiram alertas sobre o consumo de kratom depois que investigadores encontraram embalagens do produto entre os pertences de dois estudantes da Universidade do Mississippi que morreram nesta semana. As mortes não foram atribuídas ao kratom.
A planta, originária do Sudeste Asiático, ganhou espaço no mercado americano como suplemento. Ela é procurada por seus efeitos estimulantes e semelhantes aos de opioides, mas especialistas ouvidos pela BBC alertam para os riscos das versões concentradas vendidas sem receita médica.
Efeitos e riscos do consumo
As folhas de kratom são usadas há séculos e podem ser consumidas como chá. Nos Estados Unidos, o produto também é vendido em comprimidos, pó e líquido. Segundo uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), doses baixas têm efeito estimulante, enquanto doses altas podem provocar analgesia e sintomas de abstinência.
Shane Speights, reitor de uma faculdade de medicina osteopática nos Estados Unidos, afirma que concentrações elevadas aumentam o risco de efeitos adversos. Entre eles estão a depressão do sistema nervoso central, que pode levar a colapso cardiovascular e parada respiratória. Jana Wu, diretora de integração clínica de um centro de tratamento de dependência, também aponta risco de dependência e de aumento progressivo da quantidade consumida.
Regras nos Estados Unidos e no Brasil
O kratom não é regulamentado pela agência americana de alimentos e medicamentos, a FDA. De acordo com a reportagem, a substância é proibida em 11 estados, mas continua legal em outros, incluindo o Mississippi. Speights diz que a falta de controle dificulta saber o conteúdo dos produtos vendidos como suplementos.
Dados sobre restrições e alertas citados na reportagem.
- 11Estados com proibiçãoNos Estados Unidos
- 2023Nota da AnvisaRecomendou incluir a planta na lista de proibidas
- 20 comprimidos por diaConsumo relatadoCaso atendido por Jana Wu
No Brasil, o kratom também não é regulamentado pela Anvisa. Em 2023, uma nota técnica da agência recomendou incluir a planta na lista de espécies proibidas; o material consultado não informa que essa recomendação tenha sido adotada.
Com informações de g1.
Foto de capa: The U.S. Food and Drug Administration/Wikimedia Commons (Public domain)
