Defesa contesta a prisão preventiva; familiares relatam piora na saúde de ativistas que fizeram greve de fome.
O Tribunal de Apelação de Tunes rejeitou, na quarta-feira, o recurso contra a prisão preventiva de quatro ativistas ligados à Flotilha Global Sumud. Eles continuarão detidos na Tunísia enquanto avança uma investigação sobre possíveis irregularidades no dinheiro arrecadado para a campanha de ajuda a Gaza.
Wael Naouar, Ghassan Henchiri, Ghassan Boughdiri e Nabil Channoufi estão presos desde março. Os quatro negam irregularidades e não foram condenados. A flotilha é uma campanha internacional que busca levar ajuda a Gaza e contestar o bloqueio imposto por Israel ao território palestino.
Investigação e prisão preventiva
Segundo a agência estatal TAP, que citou fontes judiciais, os investigadores apuram a origem e o uso dos recursos arrecadados e se parte do dinheiro foi destinada a outros fins. As autoridades apresentam o caso como uma investigação financeira, não como uma ação contra a atuação política ou pró-Palestina dos ativistas.
Prisões, greves de fome e decisões judiciais na Tunísia.
- marçoAtivistas detidos
- 16 de agostoWael inicia greve
- 9 de setembroHenchiri inicia greve
- 11 de setembroPrisão prorrogada
- 19 de setembroProtesto pela libertação
A prorrogação da prisão preventiva por quatro meses foi determinada em 11 de setembro. À Al Jazeera, o advogado Ghassan Ghribi, integrante da defesa, afirmou que a medida não foi justificada por atos de investigação suficientes. O governo tunisiano rejeita acusações de uso da Justiça para silenciar opositores e sustenta que o Judiciário é independente.
Greves de fome e saúde
Wael iniciou uma greve de fome em 16 de agosto contra sua detenção e foi levado a um hospital após a piora de seu estado de saúde. Ele suspendeu o protesto depois de 38 dias, a pedido de advogados e apoiadores. Seu pai, Hichem Naouar, relatou à Al Jazeera que, em uma visita recente, o filho apresentava tontura, dificuldade para enxergar e para reter água sem vomitar.
Henchiri, Boughdiri e Channoufi seguem em greve de fome. Sebti, pai de Henchiri, disse que o filho, em greve desde 9 de setembro, estava consciente, mas visivelmente exausto. Segundo ele, pedidos de exames para avaliar uma lesão na cabeça ainda não haviam sido atendidos.
Detidos após protesto
A repercussão do caso levou outras pessoas à prisão preventiva. O advogado Rafed Rabbeh confirmou à Al Jazeera que 14 pessoas detidas após um protesto pela libertação dos ativistas, em 19 de setembro, também foram colocadas nessa condição.
Entre elas está um adolescente de 17 anos, apresentado a um juiz da infância e juventude. Segundo Rabbeh, os detidos respondem a acusações que incluem participação em reunião supostamente destinada a perturbar a ordem pública. A investigação sobre os recursos da flotilha continua.
Com informações de aljazeera.com.
Foto de capa: Citizen59 from Tunis, Tunisie/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
