O horário de verão 2026 não volta. Em 17 de setembro de 2026, o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que o Brasil não terá a mudança de relógios no ciclo 2026-2027. A decisão seguiu relatórios técnicos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e o governo concluiu que adiantar os ponteiros em 1 hora “não soluciona estruturalmente a potência do sistema nacional”.
Na prática, nada muda para você: a hora de Brasília segue a mesma o ano inteiro, e celulares e computadores não devem alterar o horário sozinhos. No lugar do horário de verão, o governo apresentou uma lista de 27 medidas para garantir o suprimento de energia nos horários de pico. Entenda o que motivou a decisão, como era o horário de verão, por que ele acabou em 2019 e no que ficar atento daqui para frente.
Pontos principais
- O MME confirmou em 17 de setembro de 2026 que não haverá horário de verão no ciclo 2026-2027.
- A decisão se apoiou em relatórios do ONS, que apontam uma “rampa de carga” no fim da tarde, quando a geração solar cai e o consumo sobe.
- O governo preferiu 27 medidas alternativas, como termelétricas, importação de energia, baterias e programas de resposta da demanda.
- O horário de verão foi extinto pelo Decreto 9.772, de abril de 2019, e valia para Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do DF.
- Relógios, celulares e computadores não mudam; quem viaja ao exterior ou participa de reuniões internacionais precisa conferir o fuso do outro país.
Horário de verão 2026: o que o governo decidiu e quem anunciou
O anúncio partiu do Ministério de Minas e Energia em 17 de setembro de 2026. A pasta informou que o país não adotará o horário de verão no ciclo 2026-2027, período que, no modelo antigo, iria do início de novembro até meados de fevereiro.
A avaliação não surgiu do nada. Em novembro de 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado uma análise preventiva sobre o tema, por causa da pressão sobre o sistema elétrico no fim do dia. O MME então reuniu os relatórios técnicos do ONS, órgão que coordena a operação das usinas e das linhas de transmissão do país, e decidiu manter os relógios como estão.
Para acompanhar novas comunicações oficiais, consulte o site do Ministério de Minas e Energia. Outras notícias que afetam a rotina do brasileiro, como calendário de feriados e mudanças em serviços públicos, estão na editoria de Atualidades da Revista Ideal.
Por que o horário de verão foi descartado
O ponto central é o que os técnicos chamam de “rampa de carga”. Ao longo do dia, as usinas solares respondem por uma fatia relevante da energia gerada. Quando o sol se põe, essa geração cai rapidamente, ao mesmo tempo em que as pessoas chegam em casa, ligam o ar-condicionado, o chuveiro e a televisão. O resultado é uma subida acelerada da demanda no fim da tarde e no início da noite.
O horário de verão foi pensado para outra época, quando o problema era o pico de consumo à noite, causado principalmente pela iluminação. Adiantar os relógios em 1 hora aproveitava a luz natural e reduzia o uso de lâmpadas nesse horário. Hoje o perfil é outro. Pela conclusão do governo, a mudança dos ponteiros não resolve de forma estrutural a falta de potência do sistema no momento mais sensível: ela apenas desloca o horário do problema.
Energia e potência não são a mesma coisa
A distinção ajuda a entender a decisão. Energia é o volume produzido ao longo do tempo; potência é a capacidade de entregar essa energia em um instante específico. O Brasil tem energia disponível durante o dia, com sol e vento. O desafio está na potência disponível justamente no início da noite, quando a solar deixa de gerar e a demanda dispara.
Por isso, o MME entendeu que a resposta precisa vir de fontes capazes de entrar em operação nesse horário, e não de uma mudança de hábito dos consumidores. As análises que embasam a decisão estão sob responsabilidade do ONS, que publica dados sobre a operação do sistema.
As 27 medidas que substituem o horário de verão
Em vez de mexer nos relógios, o governo listou 27 ações para garantir o suprimento nos horários de maior demanda. Entre as principais estão:
- Acionamento de usinas termelétricas, que geram energia a qualquer hora, independentemente de sol ou vento.
- Importação de energia de países vizinhos, aproveitando as interligações já existentes.
- Sistemas de armazenamento em baterias, que guardam energia durante o dia e a devolvem à rede no início da noite. A abertura da contratação desses sistemas está prevista para o 4º trimestre.
- Programas de resposta da demanda, nos quais consumidores reduzem o consumo nos horários de pico e recebem remuneração por isso.
Para o consumidor residencial, o pacote não exige nenhuma mudança de rotina. O impacto está na operação do sistema, com mais capacidade disponível no momento em que a solar sai de cena.
Como era o horário de verão e por que acabou em 2019
O horário de verão existiu no Brasil de forma intermitente desde 1931 e foi aplicado todos os anos entre 1985 e 2019. Na fase mais recente, valia apenas para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal. Os relógios eram adiantados em 1 hora entre o início de novembro e meados de fevereiro.
A mudança acontecia sempre em um domingo. À meia-noite, os relógios pulavam para 1h e aquele dia ficava 1 hora mais curto. Em fevereiro, o caminho inverso: os ponteiros voltavam 1 hora, e o país retomava o horário normal.
A extinção veio com o Decreto 9.772, de abril de 2019. A justificativa foi dupla: o perfil de consumo tinha mudado, com o pico migrando para a tarde por causa do ar-condicionado, e a economia de energia gerada pela medida era baixa. Desde então, o país opera com o mesmo horário o ano inteiro.
Linha do tempo
| Período | O que aconteceu |
|---|---|
| 1931 | Primeira adoção do horário de verão no Brasil, seguida de idas e vindas ao longo das décadas. |
| 1985 a 2019 | Aplicação anual, restrita nos últimos anos ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mais o DF. |
| Abril de 2019 | Decreto 9.772 extingue o horário de verão. |
| Novembro de 2025 | TCU recomenda avaliação preventiva sobre o tema. |
| 17 de setembro de 2026 | MME confirma que não haverá horário de verão no ciclo 2026-2027. |
O que muda no dia a dia e no que ficar atento
Nos relógios, nada. A hora de Brasília continua a mesma em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. Celulares, computadores, relógios inteligentes e assistentes de voz não devem alterar o horário automaticamente, porque os sistemas atualizados já não preveem horário de verão para o Brasil.
Se algum aparelho mudar a hora por conta própria, abra as configurações de data e hora, confirme que o fuso selecionado é o de Brasília e que a opção de ajuste automático está ativa. Em aparelhos muito antigos ou sem atualização, pode ser necessário corrigir a hora manualmente e verificar se existe uma versão nova do sistema.
Viagens e reuniões internacionais
A atenção deve ir para quem lida com outros países. Vários deles ainda mudam os relógios em datas próprias, e a diferença em relação ao Brasil varia ao longo do ano. Alguns exemplos:
- Europa: a maior parte dos países adianta os relógios no último domingo de março e volta ao horário normal no último domingo de outubro.
- Estados Unidos: o horário de verão vai do segundo domingo de março ao primeiro domingo de novembro na maior parte do território.
- Chile: também adota horário de verão, com calendário próprio.
Na prática, uma reunião marcada para as 10h em Lisboa acontece às 6h em Brasília durante o horário de verão europeu e às 7h no restante do ano. Antes de marcar compromissos, voos e conexões, confira o fuso do destino na data exata da viagem, e não apenas a diferença que valia na última vez em que você viajou.
Dentro do Brasil, o planejamento fica mais simples: sem mudança de hora, os horários de voos, ônibus e provas seguem iguais o ano inteiro. Quem pretende aproveitar as folgas do fim do ano pode usar o calendário de feriados de outubro, novembro e dezembro de 2026 para organizar as datas.
Perguntas frequentes
Vai ter horário de verão em 2026?
Não. O Ministério de Minas e Energia confirmou em 17 de setembro de 2026 que o Brasil não terá horário de verão no ciclo 2026-2027. Os relógios não serão adiantados em novembro nem em qualquer outro mês do período.
Quando o horário de verão acabou no Brasil?
Em abril de 2019, por meio do Decreto 9.772. O último ciclo aplicado foi o de 2018-2019, encerrado em fevereiro de 2019. Desde então, o país mantém o mesmo horário durante o ano inteiro.
Quais estados tinham horário de verão?
Na fase mais recente, a medida valia para os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Distrito Federal. Norte e Nordeste ficavam de fora, porque perto da linha do Equador a duração do dia varia pouco ao longo do ano, o que anula o ganho com a luz natural.
O horário de verão pode voltar em 2027?
Depende de novas avaliações do governo e do ONS. A decisão de 2026 vale para o ciclo 2026-2027 e foi tomada com base na situação do sistema elétrico neste momento. Não há previsão oficial para os anos seguintes.
Preciso mudar a hora do celular?
Não. Mantenha o ajuste automático ativado e o fuso de Brasília selecionado. Se o aparelho alterar a hora sozinho, corrija nas configurações de data e hora e verifique se há atualização do sistema disponível.
