Autoridades europeias relatam sabotagens, drones e desinformação, enquanto Moscou nega envolvimento.
Autoridades europeias elevaram o alerta diante de ações híbridas atribuídas à Rússia, que incluem suspeitas de sabotagem, uso de drones e interferências contra países aliados da Ucrânia. Os episódios relatados envolvem a Alemanha, a Polônia, a Dinamarca e a Lituânia, em meio à guerra iniciada pela invasão russa do território ucraniano.
Segundo líderes e órgãos de segurança europeus, as ações buscam pressionar os apoiadores de Kiev sem chegar a um confronto militar convencional com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O Kremlin nega de forma recorrente participação em atividades híbridas e acusa o Ocidente de conduzir medidas coercitivas contra a Rússia.
Casos investigados na Europa
Investigadores alemães concluíram neste mês que agentes russos enviaram, durante o verão, um drone com explosivos de uso militar ao aeroporto de Leipzig/Halle, no leste da Alemanha. Segundo autoridades citadas pela reportagem, uma explosão poderia provocar danos significativos e matar pessoas.
Também neste mês, um drone russo atingiu um trem de passageiros no oeste da Ucrânia, perto da fronteira polonesa. O caso foi interpretado por observadores como um aviso aos países que apoiam a Ucrânia. Na semana anterior, um navio de guerra russo disparou sinalizadores contra um helicóptero dinamarquês em águas internacionais, e um caça da Otan derrubou um drone que provavelmente entrou no espaço aéreo da Lituânia a partir de Belarus.
O serviço de inteligência de defesa da Dinamarca avaliou, na quinta-feira, que a Rússia ampliaria as ameaças contra integrantes da Otan, com consequências maiores aos países-alvo. Para Charlie Edwards, pesquisador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos e ex-integrante da inteligência britânica, cresceu a possível letalidade e a ambição operacional das ações de sabotagem.
Reação dos aliados da Ucrânia
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a pressão russa não reduzirá o apoio à Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também declarou que a guerra poderá se expandir se os aliados não reagirem.
Autoridades ocidentais de segurança afirmam não ter identificado sinais de preparação russa para uma guerra convencional contra a Otan. A ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze, disse que a Rússia não tem capacidade, neste momento, para desafiar a aliança militar, mas pode manter operações híbridas de custo menor.
Entre as ameaças mencionadas por autoridades estão:
- Drones para vigiar bases e interromper o tráfego aéreo.
- Interferências em sistemas de navegação de aviões comerciais.
- Invasões a redes elétricas e represas.
Medidas em discussão
Países europeus já adotam sanções econômicas, congelamento de ativos, expulsão de diplomatas e divulgação pública de ataques atribuídos a Moscou. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defende punições mais firmes, maior proteção contra desinformação e recrutamento promovidos pela Rússia, além de eventual redução no número de turistas russos autorizados a entrar na Europa.
Especialistas discutem a criação de uma resposta conjunta específica da Otan para ataques híbridos, mas a proposta ainda está em fase inicial. A Polônia, por sua vez, prometeu enviar à Ucrânia interceptadores Patriot adicionais após o ataque ao trem perto de sua fronteira, segundo a reportagem.
O que está em jogo
Para autoridades europeias, manter o apoio militar à Ucrânia é uma das formas de conter as ações russas. O governo dos Estados Unidos, porém, parece menos inclinado a endurecer sua postura, de acordo com a reportagem, e convidou Vladimir Putin para uma cúpula do G20 em Miami, prevista para dezembro.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Пресс-служба Президента России/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
