Em texto publicado pela Folha, autora sustenta que ampliar a presença feminina ajuda a mudar a composição do poder.
Em coluna publicada pela Folha em 25 de setembro de 2026, a jornalista Mariliz Pereira Jorge defendeu que eleitores votem em mulheres mesmo quando discordam de suas posições políticas. Para a autora, a maior presença feminina em postos de decisão altera a percepção de que a política é um espaço reservado aos homens.
O texto argumenta que representação não deve depender de concordância ideológica entre eleitoras e candidatas. A colunista afirma que mulheres conservadoras e progressistas, apesar de suas divergências, têm papel na ampliação da participação feminina nos espaços institucionais.
Representação além da afinidade política
Mariliz Pereira Jorge contesta a ideia de que mulheres seriam naturalmente mais éticas na vida pública. Segundo ela, a predominância masculina nos ambientes de poder explica por que homens aparecem em maior número em casos de corrupção e falta de decoro mencionados no texto.
A autora cita levantamentos internacionais, sem especificá-los, segundo os quais governos com maior proporção de mulheres tendem a registrar menos fraudes. Na avaliação dela, esse resultado estaria relacionado a sociedades com mais igualdade eleitoral, transparência e instituições mais sólidas, e não a uma suposta superioridade moral feminina.
O artigo também aborda a eleição de representantes com propostas consideradas retrógradas. A colunista defende que essas ideias sejam enfrentadas no debate público e menciona um projeto de lei que buscava equiparar o aborto legal após 22 semanas ao crime de homicídio.
Referência à Constituinte
Como exemplo de atuação conjunta entre mulheres de diferentes posições, o texto lembra a Assembleia Constituinte de 1987. Naquele período, havia 26 mulheres entre 559 parlamentares, que ficaram conhecidas pelo apelido de Lobby do Batom, segundo a coluna.
Dados citados na coluna sobre a Assembleia Constituinte.
- 26Mulheresparlamentares
- 559Totalparlamentares
- 1987Constituinteano citado
A autora afirma que as deputadas deixaram de lado divergências partidárias para defender conquistas durante a elaboração da Constituição. Para ela, a ocupação de cargos como prefeituras, presidências e cadeiras legislativas é o primeiro passo para que a presença feminina deixe de ser excepcional.
O que defende a coluna
A posição apresentada é que o aumento do número de mulheres eleitas deve anteceder a expectativa de maior diversidade de visões no Legislativo. A autora conclui que a participação feminina precisa se tornar habitual nos Três Poderes, e não um evento isolado.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: World Intellectual Property Organization/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
