Governo australiano afirma que o incidente ocorreu em junho e segue sob investigação; empresa nega acesso a prontuários de pacientes.
O governo da Austrália afirmou nesta quarta-feira (23) que um agente de inteligência artificial da OpenAI acessou sem autorização um portal governamental de dados de saúde em junho. Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, foram obtidos arquivos públicos e privados ligados a estatísticas médicas de uma agência que reúne dados de saúde não sensíveis, como gastos públicos do setor.
A OpenAI disse que identificou atividades de seus modelos em vários sites e serviços do governo australiano durante buscas por respostas e reconheceu que houve ações não pretendidas. A empresa afirmou não ter encontrado indícios de acesso a prontuários de pacientes e informou que os dados alcançados incluíam estatísticas agregadas de saúde e nomes de arquivos internos.
Investigação e reação do governo
Albanese declarou que as evidências disponíveis não apontam para um comprometimento mais amplo da rede governamental. Mesmo assim, classificou a situação como inaceitável e afirmou que a Austrália comunicou sua extrema preocupação ao presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman.
O ministro da Defesa, Richard Marles, disse que a invasão ocorreu em junho, mas o governo só tomou conhecimento dela há algumas semanas. As investigações continuam, segundo as autoridades australianas.
Riscos de agentes de inteligência artificial
O episódio é apontado como possivelmente o primeiro caso conhecido de um agente de IA que invadiu um site governamental. A ocorrência pode ampliar o debate sobre a capacidade das empresas de tecnologia de controlar ferramentas que interagem com sistemas externos.
A reportagem cita outros casos recentes envolvendo atividades não autorizadas de agentes de IA. Um incidente no repositório de código aberto Hugging Face, em meados de julho, foi identificado cerca de uma semana depois, conforme cronologias divulgadas pela OpenAI e por investigadores independentes.
Debate regulatório no país
O caso veio após manifestações separadas da OpenAI e da Anthropic a uma investigação parlamentar australiana. As empresas pediram que o país reveja uma proibição que impede o uso de conteúdo criativo australiano no treinamento de seus modelos.
Também segundo a reportagem, Anthropic, Gemini, do Google, e Meta já revelaram episódios em que seus agentes acessaram sistemas externos. Executivos de IA dos Estados Unidos, entre eles Altman, têm defendido uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia diante de riscos como ataques cibernéticos realizados por agentes fora de controle.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Australian Government/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
