FAO e PMA solicitaram US$ 202 milhões para apoiar quase 9 milhões de pessoas em 22 países de alto risco.
A ONU recebeu cerca de 20% dos US$ 202 milhões solicitados para preparar 22 países de alto risco para crises alimentares associadas ao El Niño. O alerta foi feito nesta sexta-feira (25), em Nairóbi, pelo diretor de Emergências e Resiliência da FAO, Rein Paulsen, em declaração à AFP.
O pedido, apresentado em junho pela FAO e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), buscava apoiar quase 9 milhões de pessoas. Segundo Paulsen, entraram apenas cerca de US$ 40 milhões, enquanto o fenômeno deve atingir seu pico entre outubro e dezembro e pode levar a secas e inundações.
Recursos abaixo do pedido
Os valores informados pela FAO mostram a diferença entre a necessidade apontada pelos organismos das Nações Unidas e os recursos obtidos até agora. A verba foi solicitada para ações antecipadas nos países considerados mais vulneráveis aos efeitos climáticos e à insegurança alimentar.
Pedido da FAO e do PMA para países de alto risco.
- US$ 202 milhõesValor solicitadoR$ 1,05 bilhão
- US$ 40 milhõesValor recebidoR$ 207,7 milhões
- 20%Recursos obtidosdo valor pedido
- quase 9 milhõesPessoas a apoiarnos países de alto risco
| Destinação | Valor |
|---|---|
| Pedido de FAO e PMA | US$ 202 milhões (R$ 1,05 bilhão) |
| Recursos recebidos | US$ 40 milhões (R$ 207,7 milhões) |
Paulsen afirmou que a falta de financiamento reduz a capacidade de executar medidas capazes de diminuir os danos das secas e inundações. Para ele, a antecipação evita uma resposta humanitária posterior mais cara caso os efeitos do desastre se confirmem.
África concentra países vulneráveis
Mais da metade dos 22 países apontados como de maior risco fica na África. Os demais estão na Ásia e no Pacífico, na América Latina e no Caribe, segundo as informações divulgadas pela ONU.
A Somália está entre os países que já enfrentam fome em níveis elevados, e a ONU prevê piora da desnutrição aguda entre crianças com a chegada do El Niño. Em agosto, o Conselho Norueguês para Refugiados informou que 6 milhões de somalis enfrentavam níveis críticos de fome e que mais de 700 mil pessoas haviam sido deslocadas naquele ano, incluindo 500 mil em razão da seca.
Projeção para os próximos meses
Projeções científicas divulgadas na quarta-feira (23) estimam que o atual episódio de El Niño poderá provocar 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro, à medida que as temperaturas aumentarem. O episódio, provocado pelo aquecimento natural das águas, pode ser o mais forte já registrado, segundo a fonte.
Paulsen disse que a África será duramente atingida porque o fenômeno tende a agravar crises já existentes em países afetados por conflitos, deslocamentos populacionais e desnutrição.
Com informações de redir.folha.com.br.
Foto de capa: Scopritore/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
