Palestinos ouvidos pela Al Jazeera dizem que o resultado de 27 de outubro pode afetar ajuda, deslocamentos e condições de vida no território.
Moradores da Faixa de Gaza acompanham com apreensão as eleições nacionais de Israel, marcadas para 27 de outubro, por avaliarem que o resultado poderá influenciar as políticas israelenses para o território. A reportagem foi publicada pela Al Jazeera em 24 de setembro e relata o temor de que uma nova composição de governo leve a mais deslocamentos e à piora no acesso a alimentos, remédios e outros itens básicos.
Palestinos de Gaza e da Cisjordânia ocupada não participam da votação, mas seguem as campanhas dos partidos israelenses. Segundo a Al Jazeera, a guerra em Gaza, a violência na Cisjordânia, o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, a economia e o serviço militar de israelenses ultraortodoxos estão entre os temas da disputa.
Receio sobre o próximo governo
Maryam al-Dabala, de 30 anos, disse à Al Jazeera ter sido deslocada cerca de 14 vezes durante a guerra. Para ela, uma vitória do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, com apoio de ministros de extrema direita, poderia manter políticas de deslocamento forçado e agravar a escassez de ajuda e medicamentos.
A reportagem afirma que Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar e apontado como favorito, também não desperta expectativa de melhora entre parte dos palestinos entrevistados. Eisenkot integrou o governo de Netanyahu nos primeiros oito meses da guerra, apoia assentamentos na Cisjordânia e se opõe à solução de dois Estados, segundo o texto.
Vida sob deslocamentos e escassez
Osama al-Arbaei, de 65 anos, afirmou que sua casa na Cidade de Gaza foi bombardeada e que nove familiares morreram. Ele vive atualmente em um abrigo temporário numa escola, não tem renda e disse que acompanha a eleição sobretudo pelo possível efeito nos preços dos alimentos, nas condições de moradia e no trabalho.
Como exemplo da dificuldade econômica, ele relatou que uma caixa de tomates pode custar entre 20 e 50 shekels, enquanto não dispõe de 2 shekels. Já Umm Mohammed Khalil, viúva de 59 anos deslocada do bairro Sheikh Zayed, no norte de Gaza, para a Cidade de Gaza, disse temer uma intensificação da violência e afirmou sustentar 19 parentes.
Disputa sem maioria definida
O especialista em assuntos israelenses Ahed Farawaneh disse à Al Jazeera que a eleição segue incerta. Pesquisas recentes, segundo ele, indicavam que nem o bloco governista nem a oposição alcançariam sozinhos os 61 assentos necessários no Knesset para formar governo.
Farawaneh avaliou que uma coalizão liderada por Netanyahu, apoiada por partidos de direita e extrema direita, tende a preservar a atual orientação para Gaza. Um governo de oposição poderia responder mais à pressão internacional, embora também enfrentasse influência da extrema direita israelense, segundo o analista.
Cronologia citada pela reportagem
A Al Jazeera também menciona um cessar-fogo que teria entrado em vigor em 10 de outubro e informa mortes e feridos desde então. Como o texto está datado de 24 de setembro, a fonte não esclarece essa cronologia. Por isso, os números atribuídos ao período posterior ao cessar-fogo não podem ser situados temporalmente a partir da própria publicação.
Com informações de aljazeera.com.
Foto de capa: Chezki Mozes/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
