Banco fixou preço-alvo de R$ 26 e projeta desaceleração gradual da receita no segundo semestre de 2026.
As ações da RD Saúde (RADL3) caíam cerca de 4% na semana, depois de acumularem alta de 16% no trimestre, e o Goldman Sachs avaliou que o recuo abre uma oportunidade de entrada no papel. O banco reiterou recomendação de compra e estabeleceu preço-alvo de R$ 26 para a companhia.
Em relatório assinado por Irma Sgarz, Felipe Rached e Gabriela Leme, os analistas disseram que os riscos de revisões negativas das projeções para o terceiro trimestre e para o restante de 2026 parecem limitados. Na avaliação do Goldman, a desaceleração esperada já está considerada nas estimativas.
Projeções para receita e GLP-1
O Goldman prevê que a receita bruta da RD Saúde cresça 14,2% no segundo semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. A estimativa é de avanço de 15,8% no terceiro trimestre e de 12,7% no quarto, após a alta de 19,3% registrada no primeiro semestre.
Estimativas para receita, GLP-1 e margem no segundo semestre de 2026.
- 14,2%Receita brutasegundo semestre de 2026
- 32%GLP-1receita no segundo semestre
- 15,8%Terceiro trimestrereceita bruta anual
- 12,7%Quarto trimestrereceita bruta anual
- 28,4%Margem brutasegundo semestre
- R$ 26Preço-alvoação RADL3
A principal razão para a moderação projetada é uma base de comparação mais difícil para os medicamentos GLP-1, grupo que inclui tratamentos à base de tirzepatida. O banco estima alta de 32% na receita desse segmento no segundo semestre, abaixo dos 96% observados nos seis primeiros meses do ano.
Para o terceiro trimestre, a projeção é de crescimento anual de 53% para os GLP-1, ante 72% no trimestre anterior. Na comparação trimestral, a expectativa é de avanço de 5%, depois de uma expansão de 8% no segundo trimestre.
Preços, volumes e margens
Segundo o relatório, a chegada de medicamentos similares ou genéricos de semaglutida pode seguir pressionando preços. No segundo trimestre, o preço médio da semaglutida recuou 22% frente ao trimestre anterior, enquanto os volumes cresceram 28%.
Os analistas avaliam que o aumento de volume pode compensar parte da redução de preços, à medida que os tratamentos se tornam mais acessíveis a novos usuários. No portfólio que exclui GLP-1, a previsão é de alta de 12,1% na receita bruta no segundo semestre, apoiada pela expansão de 9,3% da área de vendas e pelo reajuste regulatório de 2,8%.
O Goldman projeta margem bruta de 28,4% para o segundo semestre, perto dos 28,6% do primeiro. Também apontou que a margem dos medicamentos genéricos de marca já supera 15%, segundo verificações do banco com participantes dos canais de distribuição.
O que sustenta a avaliação
Para o Goldman, a RD Saúde segue entre as empresas de crescimento de alta qualidade acompanhadas pelo banco. A análise cita a demanda relativamente defensiva do setor, o envelhecimento da população, o histórico de ganho de participação de mercado e a exposição ao avanço dos medicamentos GLP-1.
A instituição calculou que uma variação de 10 pontos-base na margem bruta pode alterar em aproximadamente 2% sua estimativa de lucro líquido trimestral da companhia.
Com informações de infomoney.com.br.
Foto de capa: Quantumquark/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
