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Geleiras dos Andes encolhem; efeito sobre águas da Amazônia ainda é incerto

MapBiomas registra forte recuo das geleiras andinas. O efeito da perda de gelo sobre as águas da Amazônia ainda precisa ser estudado.

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Peru
Foto: Ministerio de Defensa del Perú/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Dados do MapBiomas mostram perdas em países andinos e aumento de lagunas de origem glaciar no Peru.

Mapas do MapBiomas mostram uma redução acentuada das geleiras nos Andes nas últimas décadas. Parte desse gelo fica nas cabeceiras de rios que alimentam a bacia amazônica, mas ainda não se sabe como sua perda poderá alterar a dinâmica das águas entre as montanhas e a Amazônia.

Os dados ganharam atenção após um deslizamento de gelo e rocha perto do Langtang Lirung, no Nepal, em 26 de agosto. O episódio desencadeou um fluxo de água e detritos pelos vales. Nas regiões de alta montanha, o aquecimento global modifica geleiras e encostas, embora eventos desse tipo possam resultar da combinação de fatores climáticos, geológicos, sísmicos e hidrológicos.

Quanto gelo os Andes perderam

Entre 1985 e 2024, a superfície coberta por geleiras diminuiu nos três países andinos abaixo, segundo o MapBiomas:

InfográficoRecuo das geleiras andinas

Redução da superfície glaciar entre 1985 e 2024

  • Bolívia60%
  • Equador48%
  • Colômbia63%
Fonte: MapBiomasRevista Ideal
País Redução da superfície glaciar
Bolívia 60%
Equador 48%
Colômbia 63%

Os períodos de medição não são iguais para todos os países. No Peru, a perda foi de 54% entre 1985 e 2025, equivalente a mais de 111 mil hectares. No Chile, que reúne a maior parte da superfície glaciar dos Andes, a redução superou 344 mil hectares entre 1998 e 2025. A Venezuela já perdeu todas as suas geleiras permanentes.

Lagunas e riscos nos vales

No Peru, a área de lagunas de origem glaciar passou de 2,4 mil para 3,7 mil hectares entre 2000 e 2025, de acordo com os dados citados pelo MapBiomas. Esses corpos d’água podem surgir onde antes havia gelo. O descongelamento do solo permanentemente congelado, chamado permafrost, também pode deixar encostas mais suscetíveis a desprendimentos.

A região peruana de Áncash tem histórico de fluxos de água, gelo e sedimentos. Em 1941, um desprendimento atingiu a laguna Palcacocha e destruiu parte de Huaraz; em 1970, um terremoto desencadeou o desprendimento que soterrou Yungay. Já em 2025, um deslizamento no nevado Vallunaraju causou uma inundação e atingiu dezenas de casas.

O que o monitoramento pode mostrar

Imagens de satélite permitem acompanhar o recuo das geleiras e a expansão de áreas cobertas por água. Segundo as pesquisadoras que analisaram os dados do MapBiomas, esse acompanhamento pode apoiar a prevenção de desastres e o planejamento dos recursos hídricos. Para o Brasil, permanece em aberto como a perda de gelo nas cabeceiras andinas poderá afetar as águas da Amazônia.

Com informações de redir.folha.com.br.

Foto de capa: Ministerio de Defensa del Perú/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Autor

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. Publica conteúdo em mais de 2.000 sites parceiros e é o responsável pelo Revista Ideal.

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