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Especialistas alertam para risco de medicar comportamentos infantis

Especialistas alertam que comportamentos infantis exigem investigação antes do uso de psicotrópicos.

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Especialistas alertam para risco de medicar comportamentos infantis
Imagem ilustrativa

Agitação, irritabilidade e desatenção podem ter diferentes causas e exigem avaliação cuidadosa antes do uso de psicotrópicos.

Agitação na escola, dificuldade para dormir, desatenção e mudanças de humor na infância não indicam, isoladamente, um transtorno psiquiátrico ou a necessidade de remédio. Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a avaliação deve investigar o que está por trás do comportamento antes de uma prescrição.

Segundo Claudio Schvartsman, pediatra do Einstein Hospital Israelita, privação de sono, conflitos familiares, dificuldades de aprendizagem, bullying, excesso de estímulos eletrônicos e condições clínicas, como anemia, deficiência de ferro ou alterações da tireoide, podem explicar essas mudanças. Thiago Pedrosa, psiquiatra especializado em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, diz que é preciso considerar a duração, os ambientes em que o comportamento ocorre, a intensidade e seus impactos para a criança e a família.

Avaliação vai além de uma queixa

Uma noite mal dormida, por exemplo, pode aumentar a irritabilidade, a impulsividade e a desatenção, de acordo com Pedrosa. Sem essa análise, o quadro pode levar a uma investigação equivocada de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o TDAH.

Os especialistas não defendem deixar de tratar transtornos psiquiátricos. Pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde aponta que cerca de 20% dos jovens de 10 a 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental no Brasil. Casos como depressão grave, bipolaridade, psicose e TDAH podem prejudicar aprendizagem, relações, autoestima e segurança quando não recebem o tratamento adequado.

Cérebro em desenvolvimento exige cautela

A infância e a adolescência são fases de maturação cerebral, com refinamento das conexões entre neurônios e mudanças estruturais e funcionais. O córtex pré-frontal, ligado ao planejamento, ao controle de impulsos e à tomada de decisões, segue amadurecendo durante a adolescência.

Os psicotrópicos atuam em sistemas de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Pedrosa afirma que estudos de neuroimagem já encontraram diferenças associadas ao uso desses medicamentos, mas ressalva que é difícil separar os efeitos do remédio daqueles provocados pelo transtorno; uma alteração em exame, segundo ele, não comprova dano.

Uma revisão publicada em 2025 na revista Pediatric Drugs apontou a necessidade de pesquisas de longo prazo sobre efeitos neuromoduladores dos psicotrópicos durante o desenvolvimento cerebral. O psiquiatra também destaca que estimulantes, antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos e benzodiazepínicos têm perfis e evidências distintos.

Efeitos e uso combinado devem ser acompanhados

Entre os antipsicóticos de segunda geração, uma revisão sistemática de 2018, com 135 estudos, associou essa classe a ganho de peso, prolactina e triglicérides elevados, sedação, sonolência e sintomas motores. O levantamento também encontrou indícios de risco maior de colesterol elevado e diabetes tipo 2.

InfográficoDados citados sobre saúde mental infantil

Estudos e estimativa mencionados pelos especialistas

20%
Jovens com transtorno mentalfaixa de 10 a 19 anos
  • 20%Jovens afetadosde 10 a 19 anos
  • 135Estudos sobre antipsicóticosrevisão de 2018
  • 302Pacientes avaliadosestudo publicado em 2024
  • 68,2%Uso de mais de um remédiodos pacientes do estudo
Fonte: Instituto de Estudos para Políticas de Saúde e estudos publicadosRevista Ideal

Outra revisão, publicada em 2021 na The Mental Health Clinician, citou possíveis alterações no crescimento e na densidade mineral óssea relacionadas aos antidepressivos, além de ganho de peso e possível aumento do risco de diabetes. Para os especialistas, a resposta comportamental e emocional não deve ser o único parâmetro observado durante o tratamento.

Pedrosa afirma que benzodiazepínicos, como clonazepam e alprazolam, têm uso restrito na psiquiatria infantil e não estão entre as primeiras opções para transtornos de ansiedade nessa faixa etária. Eles podem causar sonolência, redução de reflexos e atenção, indisposição, possíveis prejuízos cognitivos e, em alguns casos, mais agitação; o uso contínuo também pode levar a tolerância e dependência.

O que exige atenção no tratamento

Um estudo observacional publicado em 2024 no Journal of Pediatrics analisou dez anos de dados de 302 crianças e adolescentes que iniciaram terapia comportamental intensiva. Entre os pacientes, 68,2% usavam mais de um psicotrópico.

Segundo Pedrosa, o uso de dois medicamentos não representa automaticamente uma má prática, pois pode haver indicações diferentes ou uma transição de tratamento. O alerta é para a chamada prescrição em cascata, quando um efeito adverso ou uma nova dificuldade resulta na inclusão sucessiva de medicamentos, sobretudo sem uma visão integrada entre os profissionais que acompanham a criança.

Com informações de redir.folha.com.br.

Autor

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. Publica conteúdo em mais de 2.000 sites parceiros e é o responsável pelo Revista Ideal.

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