OpenAI afirma ter resolvido um dos Problemas do Milênio, mas pesquisadores dizem que o texto ainda não oferece compreensão clara do resultado.
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A OpenAI anunciou neste mês uma solução produzida por inteligência artificial para o problema de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Milênio da matemática. A empresa publicou um manuscrito de 166 páginas e uma formalização em Lean, linguagem de programação usada para verificar provas matemáticas.
Matemáticos ouvidos pela NPR consideram que a prova parece tecnicamente correta, mas dizem que ainda é difícil extrair dela uma explicação útil para pesquisadores. O resultado trata de equações usadas para descrever o movimento de fluidos, presentes em aplicações da física e da engenharia.
Por que a prova é relevante
O problema busca entender, em nível fundamental, o funcionamento das equações de Navier-Stokes. Segundo Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York, avanços nessa área podem criar ferramentas para estudar soluções complexas de fluidos, com possíveis efeitos sobre modelos de turbulência e sustentação de aeronaves.
A questão integra a lista de desafios criada em 2000 pelo Clay Mathematics Institute, cada um associado a um prêmio de US$ 1 milhão. Martin Hairer, matemático da EPFL, afirmou à NPR que havia entre pesquisadores a expectativa de que esse seria o próximo Problema do Milênio a ser resolvido.
Verificação não basta para explicar
A formalização em Lean gerada pelas ferramentas da OpenAI foi compilada como esperado, segundo Javier Gómez-Serrano, da Universidade Brown. Para a comunidade citada pela NPR, isso sustenta um consenso de que a demonstração está correta.
Ainda assim, Gómez-Serrano disse que o artigo não deixa claro quais trechos são centrais, quais são rotineiros e como as ideias poderiam ser usadas em outros problemas. James Maynard, da Universidade de Oxford, também avaliou que, até agora, tem sido difícil obter entendimento humano a partir da prova.
Disputa entre pesquisadores e empresa
A publicação provocou controvérsia porque Buckmaster afirmou que a OpenAI o procurou propondo incluí-lo no artigo se ele deixasse de trabalhar com Levent Alpöge, seu colaborador na Anthropic. Ele também disse acreditar que a empresa teve conhecimento prévio da linha de pesquisa que os dois desenvolviam.
A OpenAI negou ter usado prompts ou provas de Buckmaster e Alpöge na busca pela solução. Segundo a empresa, o trabalho foi iniciado após rumores, em 1º de setembro, de que dois Problemas do Milênio poderiam ter sido resolvidos.
Escala do trabalho computacional
De acordo com a OpenAI, cerca de 10 mil agentes de IA trabalharam por 88 horas no problema de Navier-Stokes e geraram aproximadamente 130 bilhões de tokens. A companhia informou ter usado 300 bilhões de tokens na busca por soluções para os problemas avaliados.
- 10 milAgentes de IA
- 88 horasTempo de trabalho
- 130 bilhõesTokens em Navier-Stokes
- 300 bilhõesTokens na busca total
- 166 páginasExtensão do manuscrito
Para os matemáticos ouvidos pela NPR, o episódio mostra o potencial da IA para produzir resultados novos, mas também expõe a distância entre verificar formalmente uma demonstração e apresentá-la de modo que outros pesquisadores possam aprender com ela.
Com informações de npr.org.
