Banco avalia que eventual programa público teria alcance restrito e efeito moderado sobre grandes farmácias.
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O Morgan Stanley calcula que a distribuição de medicamentos da classe GLP-1 pelo SUS poderia exigir despesas anuais de R$ 54,8 bilhões a R$ 343,6 bilhões, a depender do público atendido. A análise foi divulgada após Lula e o Ministério da Saúde mencionarem a possibilidade de incorporar esses remédios para grupos específicos, como pessoas com obesidade, doenças cardiovasculares e candidatos à cirurgia bariátrica.
Até agora, não foram definidas regras nem um calendário para a eventual adoção. Para o banco, o governo enfrentaria a necessidade de limitar o acesso clínico para manter o programa compatível com os recursos disponíveis para a saúde.
Estimativas de custo
O levantamento considera a semaglutida e parte do menor preço encontrado no mercado brasileiro. No cenário voltado somente a pessoas com diabetes tipo 2, a despesa anual estimada seria de R$ 54,8 bilhões; com a inclusão de pessoas com diabetes e obesidade, chegaria a R$ 154,1 bilhões.
Custos estimados do GLP-1 no SUS
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
Em uma projeção que também abrange pacientes com sobrepeso e uso discricionário, o gasto alcançaria R$ 343,6 bilhões ao ano. O orçamento federal de saúde projetado para 2027 é de R$ 272,2 bilhões, segundo os dados usados pelo Morgan Stanley.
| Cenário analisado | Custo anual estimado | Parcela do orçamento de saúde de 2027 |
|---|---|---|
| Apenas diabetes tipo 2 | R$ 54,8 bilhões | 20% |
| Diabetes e obesidade | R$ 154,1 bilhões | 57% |
| Cenário mais amplo | R$ 343,6 bilhões | 126% |
Mesmo em uma hipótese de preços internacionais mínimos, o atendimento de diabéticos demandaria R$ 13,6 bilhões por ano. Para o grupo com diabetes e obesidade, a estimativa cairia para R$ 38,3 bilhões, mas ainda representaria um valor elevado.
Público tende a ser limitado
Segundo o banco, os cenários avaliados pela Conitec trabalham com cerca de 50 mil pacientes em uma alternativa mais restrita e aproximadamente 149 mil na mais ampla. Isso equivale a 0,9% a 3,7% da estimativa de 4 milhões a 5,5 milhões de usuários de GLP-1 no país.
A avaliação é que critérios rigorosos de acesso seriam o caminho mais provável para tornar uma política pública viável. O relatório também aponta que parte dos consumidores poderia deixar canais informais e passar a retirar os medicamentos pela rede pública, reduzindo a pressão direta sobre as vendas em farmácias.
Efeito projetado para as redes
O Morgan Stanley prevê impacto negativo limitado nos volumes das grandes varejistas farmacêuticas, em vez de uma mudança estrutural no setor. Em uma simulação que retira completamente a receita de semaglutida das projeções a partir do terceiro trimestre de 2026, a RD Saúde ainda teria crescimento anual composto de 9,5% na receita e 12% no EBITDA entre 2026 e 2035.
Para a Pague Menos, as projeções são de altas médias anuais de 8,4% na receita e 8,6% no EBITDA no mesmo intervalo. Os analistas atribuem a perspectiva à expansão da tirzepatida, à chegada de novas moléculas e ao crescimento da demanda por medicamentos no Brasil.
Com informações de infomoney.com.br.
