Agora
Negócios

Rosatom amplia perspectivas de cooperação nuclear com o Brasil em projeto internacional de pesquisa

Compartilhar: WhatsApp Facebook LinkedIn

Representantes da CNEN e do CDTN participaram de encontro sobre reator de pesquisa em construção na Rússia que reúne especialistas de 18 países e permitirá estudos sobre novas tecnologias nucleares

A participação de instituições brasileiras no projeto internacional do MBIR, o reator de pesquisa multipropósito de nêutrons rápidos, pode ampliar as oportunidades de cooperação científica do Brasil no setor nuclear. Em construção na Rússia pela Rosatom, a instalação será a base de um centro internacional voltado ao desenvolvimento de novas tecnologias, materiais e combustíveis para as próximas gerações de reatores nucleares.

Representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) participaram, em 29 de setembro, da terceira reunião do Conselho Consultivo do Centro Internacional de Pesquisa do MBIR, realizada no Uzbequistão. O encontro reuniu mais de 150 participantes de 72 organizações e 18 países, entre centros científicos, universidades, empresas, órgãos reguladores e instituições internacionais.

Durante a reunião, a CNEN apresentou a experiência brasileira no desenvolvimento e na utilização de tecnologias nucleares em aplicações não energéticas, como medicina, indústria e pesquisa científica. O CDTN, instituição vinculada à comissão, abordou iniciativas latino-americanas relacionadas a pequenos reatores modulares e microrreatores.

A presença brasileira ocorre em um momento de expansão da cooperação internacional em torno do MBIR. Organizado como um consórcio aberto à adesão de novos integrantes, o Centro Internacional de Pesquisa permitirá que instituições de diferentes países compartilhem uma infraestrutura científica de alta complexidade, com acesso prioritário para os participantes do projeto.

Para programas nucleares nacionais, essa estrutura poderá representar uma oportunidade de realizar experimentos e desenvolver tecnologias que exigiriam investimentos elevados em instalações próprias.

Próxima geração nuclear

Entre as principais áreas de pesquisa previstas estão os testes de novos materiais e combustíveis nucleares, a avaliação de equipamentos e sistemas tecnológicos e o desenvolvimento de reatores de quarta geração, projetados para oferecer avanços em eficiência, segurança e aproveitamento do combustível.

O MBIR também deverá apoiar estudos sobre o ciclo fechado do combustível nuclear, estratégia que busca reaproveitar materiais presentes no combustível irradiado, reduzir a necessidade de novos recursos e desenvolver soluções para o gerenciamento de resíduos radioativos.

Outra frente de pesquisa será a produção de radioisótopos, materiais radioativos utilizados em diagnósticos e tratamentos médicos, processos industriais e diferentes áreas da ciência.

Durante o encontro, os especialistas também discutiram o uso de inteligência artificial na ciência dos materiais, a segurança de sistemas nucleares, novas metodologias de pesquisa e a formação de profissionais especializados.

“Estamos criando uma ferramenta fundamental e de grande demanda. É no âmbito do diálogo multilateral entre especialistas que são estabelecidos os padrões científicos e tecnológicos e as diretrizes estratégicas para o desenvolvimento da energia nuclear mundial nas próximas décadas”, afirmou Evgeny Abakumov, vice-diretor-geral de Ciência e Estratégia da Rosatom.

Infraestrutura de pesquisa

Em construção em Dimitrovgrad, na Rússia, o MBIR terá potência térmica de aproximadamente 150 megawatts e utilizará sódio como fluido refrigerante. O reator foi projetado para permitir experimentos com combustíveis e materiais submetidos a condições de operação nuclear, além de apoiar a produção de radioisótopos e o desenvolvimento de novos equipamentos.

A instalação também deverá contribuir para pesquisas sobre sistemas nucleares que combinam diferentes tipos de reatores e tecnologias de reciclagem de combustível, considerados estratégicos para ampliar o aproveitamento dos recursos nucleares.

A reunião no Uzbequistão contou com representantes de países como Brasil, China, Índia, Vietnã e Jordânia, além de integrantes da Comunidade dos Estados Independentes. O encontro reforçou a proposta de transformar o MBIR em uma plataforma permanente de cooperação científica, capaz de reunir instituições de diferentes países no desenvolvimento de tecnologias nucleares avançadas.

(Crédito: Divulgação)

Autor

lucamoreira

Autor na Revista Ideal. Consulte o perfil para ver outras publicações e atualizacoes recentes.

Ver publicações do autor →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *